João da Silveira

11/02/2016

 

Dilma (Michel) na Primeira Semana de Fevereiro

Os petistas estão onde estão para o que der e vier. . . é a lógica orgânica do partido. . . é a ética partidária. Fecham-se em copas; não fazem delação premiada; blindam-se com alguns sacrifícios aqui e acolá; não seguem princípios morais, esses que animam ou desanimam as pessoas, que espiritam ou despiritam. Seguem apenas os princípios da organização, ainda que seja os de uma ORCRIM; e pintam-se como heróis do povo, agradando aí uns 10 a 18% dos brasileiros, seus seguidores, eles mesmos.

Em fevereiro tem carnaval. Na primeira semana de fevereiro, semana de reinício formal dos trabalhos legislativos, o principal feito de Dilma foi sua ida ao Congresso. Em condições outras, ela não iria lá. Seus auxiliares explicaram que foi um gesto de humildade dela, para pedir o esforço de todos para tirar o país do atoleiro em que se encontra. A indústria brasileira teve queda de 8,3% em 2015 (IBGE). Desemprego e inflação crescem. Dilma quer socorrer a todos, não prejudicar ninguém. Mesmo assim foi vaiada quando falou no retorno da CPMF, que nada mais é que o sacrifício de todos.

Os brasileiros não querem o sacrifício de todos, mas o sacrifício do PT, do PP e do PMDB, as ORCRIMs que assaltam o país. Há exceções, evidentemente. Bradesco e Itaú anunciaram nesta semana lucros fenomenais em 2015. Trabuco e Setúbal estão no Conselho de Dilma. Eles não são do PT, mas apoiam o retorno da CPMF, imposto que coletarão para o governo através de seus bancos, fazendo favor, ajudando. Afinal, o governo Dilma está quebrado e quebrou também estados, municípios, grandes empresas estatais, fundos de pensão, fundos públicos, a Previdência. . .

Dilma começou sua vida política numa organização (POLOP, depois, COLINA) que assaltava bancos para desapropriar recursos para a revolução. Hoje, ela desapropria para governar. Onde tem recursos desapropriáveis ela desapropria ou quer desapropriar. Por isso seus olhos estão voltados neste momento para o que resta do FGTS e para as reservas cambiais do país. Mas tanta é a crise que seu governo, exausto, cai em contradições, capturado por dilmas, digo, dilemas, carecente de tempo para sobreviver neste primeiro trimestre, sobreviver ao processo de impeachment. . . Mas, deixa estar, que por enquanto é carnaval!

Vladimir na Primeira Semana de Fevereiro

A Rússia levou para a guerra na Síria o caça avançado SU-35S, multifunções, super-manobrável, equipado com sistema (Khibini) para guerra radio-eletrônica e radar aéreo (IRBIS) capaz de detectar e engajar até oito alvos aéreos a distâncias de até 400 quilômetros, magnífica máquina mortífera cobiçada e já adquirida pela Indonésia e pela China. Agora vem o Secretário do Estrangeiro britânico, Mr. Hammond, achar que Putin está insuflando a guerra civil na Síria e atrapalhando o processo de paz. Ora, os países da Grande Coalizão vêm insuflando a guerra civil na Síria desde 2011. Veja, a propósito, o papel nefasto da ex-secretária de estado Hillary Clinton durante a conferência de paz promovida em 2012 por Ban Ki Moon. (Aqui e aqui) Em todo caso, agora, o secretário John Kerry e o senhor Hammond querem paz. Se a paz fosse celebrada agora, a Síria restaria dividida em quatro ou cinco partes, o que foi desde sempre o objetivo da Grande Coalizão.

Em meados do ano passado, calculavam que Bashar al-Assad cairia até o final de outubro. Mas aí a Rússia interveio para estabilizar o governo de Bashar al-Assad e dar-lhe meios de reação. De fato, o apoio de Putin nesses quatro meses não só estabilizou o governo de al-Assad, mas virou o jogo. Hammond tem razão num ponto: a paz pela negociação não interessa nem a al-Assad nem a Putin, ainda que eles não se furtam de negociar a paz. O que lhes interessa nesse momento é a paz pela guerra, que estão a ganhar – pacem, para bellum. À Rússia interessa a soberania e integridade da Síria.

Sergei Lavrov explica que a condição para a paz está no fechamento da fronteira entre Turquia e Síria, o que teve grande avanço esta semana com o rompimento do cerco dos rebeldes às comunidades shiitas de Nubl e Zahra, ao norte de Aleppo. . . Analistas do The Washington Post, principal voz do Beltway, Roth, Sly e Zacaria, começam a enxergar a derrota dos rebeldes em Aleppo e a vitória da estratégia diplomática e militar de Putin. . . A Síria poderá não ser, enfim, o atoleiro da Rússia como pensa ou pensou ou deseja ou desejou Barack Obama! O mais embaraçoso para a Grande Coalizão é que a vitória de al-Assad provará sua tese de que não lutou contra seu povo, mas lutou e venceu o terrorismo. . .

Um tanto melancólico pela idade, Henry Kissinger escreve nessa semana sobre a relação dos Estados Unidos com a Rússia simpaticamente. Kissinger argumenta que a Rússia é parceira indispensável para a paz mundial e faz uma visita a Vladimir Putin. . . Vladimir o recebe com simpatia, vê nele um parceiro. Vladimir gosta de referir-se aos americanos como “parceiros”, apesar dos frequentes pesares que deles tem.

Há uma crise econômica na Rússia, como no Brasil, mas não há uma crise política e moral na Rússia, como no Brasil. Dilma tem 10% de aprovação dos brasileiros; Putin tem quase 90% de aprovação dos russos. A primeira semana de fevereiro está sendo de vitória para Putin, não uma semana mais de sobrevivência no poder como está sendo para Dilma.