O grande jogo

 

João da Silveira

28/7/2020

 

Os democratas acham que os Bolsonaros devem ficar fora das eleições usamericanas. Ora, diferentemente, eu acho que eles devem interferir, sim, nas eleições usamericanas. Os grandes países do mundo todos interferem nas eleições usamericanas. Ou eles interferem diretamente e propositadamente, como estão a fazer os presidentes Bolsonaros, ou eles [grandes países] o fazem simplesmente por existirem. Este é o caso da Rússia e da China, em especial. Vladimir Putin, por exemplo, interfere poderosamente nas eleições usamericanas sem fazer nada, sem dar qualquer pitaco. Os democratas entendem que Putin elegeu Trump e Trump é boneco de Putin e não ha voz no mundo capaz de mudar esse entendimento, pois ele existe é para consumo interno em USAmérica. Os Estados Unidos, por sua vez, interferem nas eleições do mundo inteiro através de suas dezenas de agências de segurança, centenas de bases militares, centenas de estações de rádio e de televisão, sem falar das grandes plataformas de comunicação tipo Facebook e Twitter. Esse é o grande jogo: interferir, interferir, interferir!

O Brasil, evidentemente, não é Rússia nem China. O Brasil é um país menor e parte do quintal usamericano. Se um país do quintal opta por ficar fora das eleições usamericanas, ele simplesmente fica fora. Isso não é recomendável para os Bolsonaros. Os Bolsonaros precisam e devem jogar o grande jogo nas eleições usamericanas, até porque a reeleição de Trump muito os fortalecerá para sua própria reeleição em 2022. E se Trump fracassar mesmo com ou por causa da ajuda dos Bolsonaros, aí saberemos que os Bolsonaros estarão cercados pelos democratas tanto lá quanto cá. Interferir é participar; os brasileiros devem participar das eleições usamericanas, do grande jogo, especialmente os brasileiros de destaque internacional como são os Bolsonaros.

 

Foto Alan Santos/PR