O desígnio

Foram 50 anos desde o primeiro encontro dela com o repórter. Foi às dez da manhã em Poços de Caldas, na sexta-feira, 13 de dezembro de 1968. Eram três a conversar sobre a piscina deserta do Grande Hotel Minas Gerais: repórter, publicitário, e fotógrafo. Ela era uma de três jovens em biquínis cor de rosa e um menino que lá entraram. O repórter foi até elas e se apresentou. A que primeiro captou seu olhar se chamava Yara, outra era Ivone, a terceira, Jurema. O menino era Beto. O repórter perguntou se aceitavam figurar em fotos da piscina, para anúncio do hotel que sairia na revista Manchete. Aceitaram. Outras coisas fizeram depois, nos dois dias subsequentes: saíram para jantar, visitaram pontos atraentes da cidade, ele contou-lhes casos que Yara ouviu com gosto. Ele sentiu que a encantava com suas palavras e ela iluminava o espírito dele com sua curiosidade, a beleza espontânea, os olhos verdes esmeralda. De Yara ele fez Yarushka, para destaca-la acima de tudo e ela o chamou de Taquinho, com doçura. E eles trataram de coisas duradouras na voragem do tempo, a se sondarem, a se conhecerem e se conquistarem. Ao partir na segunda-feira, 16 de dezembro, Yarushka deixou com o repórter seu nome completo, seu endereço, o número de seu telefone e, na cabeça dele, sua figura indelével. Ele tinha 23 anos de idade. Ela tinha dezessete… Meio século depois daquele primeiro encontro, Yarushka buscou o remoto repórter e retomou o fio do que fora por ano-e-meio o desígnio deles….

Belo Horizonte

25/XII/1968

Querida Yarushka

Sinto, agora, a necessidade e a hora de lhe escrever. Lembro de você, demais, a toda hora pensandoem lhe contar uma história, como quando podia contar. Só que é necessária presença e essa não existe, existe só distância, lonjura. Parece-me inclusive que quem partiu fui eu, apenas. Vim para longe, longe tanto de não saber mais da infinidade das montanhas e vales do caminho. Não consigo imaginá-la fora de Poços de Caldas e é por isso que acho que você ainda permanece lá, passeando pelo hotel ou na piscina, espichada em um banco, ainda incógnita para mim, sob o sol. Essas coisinhas todas que a gente recorda, sabe como.

Fico achando também que é correto a gente fazer todas as coisas que deseja, também assim como falar. Às vezes as pessoas entendem mal, orgulhosas, e dão desprezo. Mas, quero que com você me seja possível falar de tudo, do modo mais simples, e ser entendido. Sei que posso falar; também preciso de. Outra pessoa não existe, nem pode, como você. Finalismo.

Sempre pensando. Eu. Coisas de hoje que se igualam ao antigamente. Papai costumava viajar um dia inteiro, em lombo de cavalo, para ver uma namorada. Sessenta quilômetros ele percorria. Também pretendo coisa igual, cinquenta anos depois, agora. Seiscentos quilômetros, daqui-aí, viajo o dia inteiro. A proporção é igual, a vontade é a mesma.

Não sei se esta é a melhor carta, deste jeito que ela está, que possa lhe escrever. Sinto, porém, a necessidade e o momento. Temos, eu e você, muitas coisas que aprender demais, ainda. Também não sei se você entenderá esta carta totalmente. Ela é a primeira, depois, tudo será mais fácil. Questão de costume.

Vou te contar da nossa viagem. Despedimos num momento em que eu não queria ser o último a partir. Depois, desci a rua até o canal, debrucei no parapeito da ponte, vendo passar a água suja. Tinha nada para fazer, uns sonhos sem sentido povoavam-me. Não sabia de meus companheiros.Andei pelos jardins, pensativo, com vontade de permanecer na cidade tempo infinito, que já me dava nostalgia de ter de partir. Andando vagaroso, fui até a rodoviária. Creio que naquele momento vocês passaram, e não me viram, só eu [as vi]. Mas, a cidade morria para mim e não havia mais razão para ficar.

Você já deveria estar em casa quando iniciamos viagem. O Harley, como sempre de azar, teve que vir de pé porque uma senhora tomou-lhe o lugar. O ônibus estava cheio e todo aquele desconforto nos magoava. Descemos na segunda cidade – Pouso Alegre – e dormimos ali. Eu indiferente, o Harley nervoso, o Zé Francisco aquela simpatia. No outro dia alugamos um carro que nos trouxe a Belo Horizonte. Afinal, nosso patrão não gostaria de saber de nossa miséria, e não seria por causa de uma gerente sovina que viajaríamos em desconforto. Chegamos em Belo Horizonte à noite. Tomei banho e fui cear na casa do Zé Francisco. Hoje estou escrevendo. Ainda não fui na sucursal da revista, mas creio que amanhã, dia 26, a gente volte para o sul. Nosso carro já está consertado; a viagem há de ser normal.

Há uma lua no céu, não mais a que foi, desfeita agora. O homem navegava por lá e eu fiquei pensando que você precisa me escrever urgente, simples, simples, do jeito seu, para meu conforto.

Olha! Redizendo, gosto de viajar, mas sinto muita tristeza quando o automóvel corre. Às vezes a paisagem é bonita, eu sorrio ou conto um caso alegre, cheio de palavrões que é para dar vida ao assunto. No entanto, é como a[quela] senhora disse, aquela cigana: meu coração está triste, sempre triste. Então eu fico pensativo e meus colegas criticam dizendo que estou curtindo paixão. Lógico. Constantemente estou absorvido com alguma coisa. Nos últimos dias penso em você, por amor, por saudade.

Taquinho

 

Tempos interessantes

Encanto e sonhos. O repórter aguardou resposta para o início de janeiro. Yarushka não responderia. Era Natal. Natais passam-se felizes. O repórter passou aquele Natal no quarto onde morava. Sonhava com Yarushka. Era véspera de Ano Novo. Anos-novos hão de ser prósperos. O ano que terminava, 1968, fora-lhe de muita prosperidade. Isso ele não sabia ainda como avaliar. Ele cavara seu primeiro emprego como repórter e lutava para firmar-se no ramo. O novo ano, 1969, lhe seria ainda mais próspero e muito mais interessante. ‘Tempos interessantes’ na acepção chinesa da expressão, i.e., na acepção do ser entre seres surpreendentes, inter esse, ser na voragem do tempo ou do movimento. Em janeiro, sem resposta, ele telefonou. As chamadas não foram atendidas. Ela passava férias no litoral com a família, nas praias de Santos. Ela só retornaria a Campinas em fevereiro, depois do carnaval. Na casa silente, tinia o telefone; na agência dos correios, jazia a carta dele.

Entretempo

No início de janeiro, assaltaram um banco em Sabará, a pequena cidade de Borba Gato e de monumentos tantos, próxima de Belô. Marcos, o chefe de redação saiu para ver. Pediu que o repórter o acompanhasse. Foram a Sabará, ao banco assaltado. De lá foram ao Departamento da Ordem Política e Social – DOPS, famigerado, para onde alguns presos tinham sido levados. Não foram à Delegacia de Furtos e Roubos. Aquela era uma ação política, não era assalto à grana pela grana. Era assalto à grana pela política. Marcos parecia saber disso. O repórter desconfiava disso. A polícia política sabia. Marcos vinha sendo observado por agentes do DOPS desde dezembro. Quando os dois chegaram no DOPS, os dois foram ‘recolhidos’ como pássaros num alçapão, em discreto silêncio. Na madrugada, o repórter foi liberado. Marcos lá ficou.

Janeiro

Na sucursal da revista não se falava nada sobre a prisão de Marcos. Ninguém perguntou nada ao repórter, que também esteve preso. Era como se fosse um tabu? Ou como se fosse medo de falar, medo de indagar? Não, medo não era. Havia sim, além do silêncio, a esperança de que Marcos fosse solto a qualquer momento. Enquanto isso, a redação da sucursal ficava por conta do repórter que, além da reportagem, era chamado também a elaborar textos para a publicidade. Os dias foram passando e Marcos não voltava. O repórter tentou saber o que se passava com ele, mas ninguém sabia de nada, ninguém falava nada. E advogado, ele não tinha? Não, não tinha por enquanto. Ele era preso político. Preso sob a Lei de Segurança Nacional (aqui e aqui). Ele iria ficar sob o arbítrio das autoridades durante 60 dias, seus direitos processuais suspensos até que fosse formulada a acusação.

Nova prisão

Na terça-feira, quatro de fevereiro, assaltaram outro banco, desta vez em Ibirité, pequena cidade ao pé da Serra do Curral. O repórter saiu com o fotógrafo Esko Murto para a cobertura. Com certeza era isso que faria o chefe Marcos. Relatos das rádios Guarani e Itatiaia diziam que os assaltantes refugiaram nas florestas ao pé da Serra. Estariam cercados lá pela polícia e caçados por helicópteros. Imagens do Vietnã passaram pela cabeça do repórter. Então ele pôde ver que os tais helicópteros eram um só.  Era um Esquilo bom apenas para o visual de cima; não eram Bell UH-1 Iriquois ou Huey helicópteros capazes de despejar e evacuar tropas e tacar fogo em combate. No que subiam por uma trilha na mata, o repórter pensou que para aquele cenário ser um novo Vietnam era preciso muita imaginação, quase que invenção. Na primeira barreira a que chegaram, surgiu de detrás das árvores um veterano do Batalhão Suez, um Ariovaldo da Hora Silva, que lhe deu voz de prisão. Pela segunda vez em um mês, o repórter se viu como pássaro que caía, agora com maus pressentimentos. Estupidez dele. Havia algo de errado em seu comportamento, em seu modo de trabalhar. Mas o que era mesmo? Não tardou para que fossem levados ao delegado Thacyr Omar Menezes e Sia, segundo na hierarquia do DOPS. Thacyr examinou a credencial do repórter, encarou-o em silêncio por algum tempo, reteve a credencial e determinou: — “Leve esse tolo para o pátio”.

O chute

Um dia em dezembro, duma janela no andar onde ficava a sucursal da revista no prédio triangular, escanteado, do Banco da Lavoura, na Praça 7, centro de Belo Horizonte, Marcos mostrou ao repórter um senhor de pé lá embaixo na calçada. — “Aquele cara está me seguindo, há dias”, disse-lhe Marcos. Era um agente do DOPS, de terno bege, chapéu. Decidiram, então, descer os dois para dar uma canseira no agente, um senhor nos seus 50 anos de idade. Saíram do prédio a passos largos, virando à direita bem nas barbas do agente. Em seguida viraram à esquerda, atravessando os 50 metros largos da Av. Afonso Pena, primeiro na mão, depois na contramão, no meio do tráfico intenso. Do outro lado da avenida, o repórter voltou-se e aferiu que o agente os seguia exato como cachorro. Aceleraram seus passos rumo sul em meio aos transeuntes. Passaram pelo edifício e Cinema Acaiaca, atravessaram a Rua dos Tamoios e viraram à esquerda, descendo. Ali tinha lotações paradas, em espera para circular. Entraram em um dos ônibus pela porta traseira e, quando viram que o agente também entrou, deixaram do ônibus pela porta dianteira e correram ligeiros pela Tamoios até a Rua da Bahia. Viraram na Bahia e subiram aos pulos a escadaria do Conjunto SULACAP. Passaram pelo Conjunto, atravessaram de novo a Afonso Pena, seguindo rumo norte agora até a Igreja São José. Subiram aos saltos as escadarias da Igreja, nela entraram, dela saíram pela direita e correram para oeste na Rua Tamoios até a Assembleia Legislativa e lá entraram, misturando-se com as muitas pessoas que lá estavam e no meio das quais andaram tal como elas, no ritmo delas, miméticos. De lá saíram sem mais ver o agente, rumaram para a Av. Amazonas, onde viraram à direita, seguiram de volta até Praça 7 e retornaram à sucursal, o ponto de partida. Tinham gasto pouco mais de vinte minutos no périplo, na correria, para canseira abusada do agente… Dois meses mais tarde, vendo o repórter no corredor a caminho do pátio, o velho agente viu chegada sua vez e o emborcou com um chute no estômago. Para o repórter, o golpe surgiu do nada, no repente, mesmo assim ele achou que reconheceu o velho agente, cuja fúria foi rapidamente contida por aquele outro que o conduzia ao pátio. E lá no pátio estava Esko em silêncio. Esko e repórter passaram o resto da tarde e a primeira metade da noite de pé, as caras contra o muro estucado e alto que cercava a delegacia, proibidos de conversar. Próximo da meia-noite, Esko foi liberado. No início da madrugada, o repórter foi levado do DOPS para a Primeira Delegacia de Polícia…

O canil

Na P.D.P., mandaram que tirasse os sapatos e a roupa e o enfiaram num cubículo que lhe pareceu um canil: espaço acanhado e vazio de utilidades, com dois metros de profundidade desde a pequena grade de ferro, um metro e pouco de largura e metro e meio de altura, feito com lajes de concreto sobre piso irregular de lajes de pedra, piso e paredes marcadas pelos corpos de homens e cães, hominis et canis, hominis-canis, homens-cães que passaram por ali. O repórter entrou no cubículo e logo se estendeu como um cão para dormir.

Larvas alvas

Havia no piso um buraco redondo cheio de vida, com diâmetro e profundidade de um palmo, cheio de alvas larvas que borbulhavam e gramavam na sopa escura das fezes e mijos dos hominis-canis. O repórter dormiu naquela madrugada de quarta-feira, cinco de fevereiro, sob o borbulhar e o odor pungente da sopalarvae da pequena fossa. Dormiu pensando em Yarushka, em Poços, na Fonte dos Amores, a maravilha de belezas…

Prontidão

Ao clarear o dia, ele foi despertado por um Prontidão que lhe trazia uma caneca de café-com-leite e um pão de trigo. Quando o Prontidão voltou para buscar a caneca, o repórter perguntou: — “Cê que fez?”. Ele respondeu: — “Sim, senhor”. — “O melhor café-com-leite que já tomei”, disse o repórter. — “Sempre às ordens”, respondeu o Prontidão. Ao meio dia, ele voltou com o almoço: um prato esmaltado, descascado e encardido, bem cheio de arroz com feijão ensopado com pelotas de músculo cozido e um pão. — “Não sou quem faz. Isso vem no carretão da comida que corre todas as delegacias”, disse ele ao passar o prato. “Não posso passar garfo e faca. Use as mãos, os dedos, para comer”, completou ele. E ficou por ali algum tempo, a observar o repórter. — “Cê tá ferido”, disse. — “Só um pontapé lá no DOPS”, respondeu o repórter. — “Também sou prisioneiro aqui. Não igual ao senhor, é claro. Durmo aqui e posso sair durante o dia para pequenas incumbências”. O repórter terminou de comer e devolveu o prato. — “Precisando, é só chamar”, disse o Prontidão, retirando-se com o prato esmaltado.

Uma e dez e cem…

A noite veio. O repórter, deitado com o braço direito a lhe servir de travesseiro, viu pequena mancha branca a mover rumo ao seu rosto. Com o dedo indicador da mão esquerda, ele apalpou e percebeu que era uma larva. Ele levantou o torso, firmou os olhos e viu que as larvas-alvas saíam da fossa. Ele chamou o Prontidão, que veio com uma lanterna. Eram dezenas, centenas de larvas em migração na noite quente. O Prontidão buscou um vidro com creolina e uma pequena vassoura, como quem estava preparado, como quem já sabia do problema. O repórter despejou boa parte da creolina na fossa e varreu as fugidias de volta ao buraco, onde morreram todas. Assossegou-se a vida na fossa e assossegou-se a noite. O repórter deitou novamente e dormiu. Sonhou recorrentemente com Poços de Caldas, a cidade vazia, deserta, ele a correr d’aqui pr’ali em busca de Yarushka…

Quinta-feira

Quanto tempo ele ficaria ali? Ali não acontecia nada, tirante as larvas, tirante alguma barata errante. O que aconteceria quando fosse tirado dali? Interrogatório? Tortura? Melhor não mais sair dali, mas até quando? Na manhã, ele conversou com o Prontidão: um condenado por matar, que cumpria resto de pena em regime semiaberto. Ao final da manhã, sentiu-se melancólico. No início da tarde, sua melancolia era espessa sombra sobre seu espírito. Fora do espírito ensombrecido, quer dizer, fora dele mesmo, a luz do sol brilhava, iluminando nomes escritos nas paredes do canil pelos homens-cães que o antecederam. Ele desviou seu olhar do assombreado interior de si para aqueles nomes externos iluminados e os contou todos. Alguns se repetiam com a mesma caligrafia. Ele chamou o Prontidão e pediu um lápis. Podia ser só um toco? Podia. Com aquele toco de lápis ele escreveu seu nome entre os outros nomes, e junto de seu nome escreveu Yarushka. Nome diferente, belo e bom. Os dois nomes deles assim entre tantos outros se destacavam e eram agradáveis de ver! Um dia ele iria contar que o nome dela ficou gravado no canil da P.D.P.

Cão comunista

Na sexta-feira, sete de fevereiro, dois tiras vieram às quatro da tarde e ficaram a observa-lo do alto dos dois degraus que desciam para o canil. O repórter também os observava daquela sua posição de homo sacer, homem sagrado, um que pode ser destruído impunimente. Eram da mesma idade dele, estavam bem vestidos e lhe pareceram bem formados. Belos de corpo, mas rudes e de violência repulsivos. Conversavam entre si e jogavam-lhe insultos. — “Ei cara, bicho fedorento… Seu nome?” Ele respondeu só o prenome. — “Por que foi preso”? Ele respondeu: — “Porque sou repórter”. Verdade pura essa resposta, mas o outro tira o corrigiu: — “Repórter que nada! Está preso porque é cão comunista”. Isso era mentira, era o que ele não era. “Cão comunista” confirmava, pelo “cão”, de que estava mesmo num canil. Cão comunista de mentira, mas feito cão comunista de fato. Aquilo dito e nada mais, eles se foram como vieram, sem ruídos, sem se anunciarem. Sair dali prometia horrores…

O banho

Na segunda-feira, 10 de fevereiro, guardas armados com submetralhadoras da Indústria Nacional de Armas (INA) vieram busca-lo. O repórter engatinhou-se para fora do canil, ficou de pé devagar, as articulações emperradas, o corpo magro engordurado, escurecido e nu, cobrindo as partes com as mãos. Devia de ter medo, mas não tinha. Ele estava preso porque Marcos estava preso, porque trabalhava e andava com Marcos. Mandaram que tomasse um banho num chuveiro que brotava de um canto externo, nos fundos da delegacia. Diante das submetralhadoras, pensou que podia morrer depois do banho, mas não viu sentido em ser morto, ainda. Não fora sequer interrogado. Seria interrogado, agora? A água fria o acalmava, o sabão limpava seu corpo, o banho levantou-lhe o espírito. Devolveram-lhe os sapatos, as roupas e o levaram de volta para o DOPS. Ele perguntou aos que o levavam: — “Agora, pra onde, pra quê?”. E eles responderam: — “A gente só leva o senhor”. Só leva. Não responderam nem para onde nem para quê. No DOPS, ele ,foi para uma cela maior, agora em companhia de outros presos e outras pragas…