Notícia Publicada em 14/01/2016 08:19 

Analista vê as ações “muito mais baratas” em comparação com o período entre 2002 e 2003

"As ações brasileiras estão muito mais baratas quando comparadas há um ano", diz Dan Raghoonundo (Reuters/Paulo Whitaker)
“As ações brasileiras estão muito mais baratas quando comparadas há um ano”, diz Dan Raghoonundo (Reuters/Paulo Whitaker)

SÃO PAULO – O Brasil é um “equilíbrio instável”, argumenta o analista para América Latina da Janus Capital, uma das maiores gestoras de recursos do mundo, Dan Raghoonundo, em entrevista a O Financista. Segundo ele, o país passa por um momento em que pequenas mudanças podem ter um efeito enorme.

Raghoonundo, que foi vice-presidente do Morgan Stanley para os mercados emergentes entre 2007 e 2014, está atento ao novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e à sua abordagem para o ajuste fiscal, ao controle da inflação, e ao andamento da Lava Jato, principalmente sobre a habilidade do governo em não paralisar a economia sem cessar as investigações.

“Se a classe política conseguir entregar essas três frentes, então o mercado brasileiro poderia certamente se tornar mais atrativo em um contexto de mercados emergentes”, explica. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

O Financista: As ações brasileiras estão suficientemente baratas para compensar os riscos locais?

Dan Raghoonundon: As ações brasileiras estão muito mais baratas quando comparadas há um ano, mas elas têm estado mais baratas mesmo com períodos de riscos comparáveis, como entre 2002 e 2003. Os riscos externos também cresceram e têm o potencial de aumentar os riscos domésticos.

O Financista: O sr. está comprando (ou analisando) ações em algum setor em especial?

Dan Raghoonundon: Estamos monitorando várias empresas de qualidade com administração excelente que estão navegando sobre uma recessão severa em meio a uma névoa política.

O Financista: Qual é a melhor estratégia para ser usada ao investir no Brasil?

Dan Raghoonundon: O Brasil é um equilíbrio instável, onde pequenas mudanças podem ter um efeito enorme, e a nossa filosofia de investimentos está bastante consciente disso.

O Financista: O Brasil está preso em uma situação de estagflação, crise política e perspectivas ruins. Esse é o momento de ficar mais cauteloso com o Brasil ou mais alerta com as oportunidades?

Dan Raghoonundon: O júri já está a postos para analisar o novo ministro da Fazenda, e a sua abordagem sobre a política fiscal. O mercado também está também ansioso para ver se a inflação pode ser controlada. Finalmente, a justiça precisa ser feita no escândalo da Lava Jato sem incapacitar a atividade econômica. Se a classe política conseguir entregar essas três frentes, então o mercado brasileiro poderia certamente se tornar mais atrativo em um contexto de mercados emergentes.

O Financista: O sr. está com uma visão acima da média, neutra, ou abaixo da média no Brasil?

Dan Raghoonundon: Estamos atualmente neutros com o Brasil. Ao redor do mundo, os países estão fazendo ajustes. Por exemplo, a Arábia Saudita cortou subsídios, apesar de ter 100% do PIB em reservas e dívida inferior a 10% do PIB em dezembro. Os mercados não esperam menos do Brasil. Se e quando reforma fiscal ocorrer, vamos considerar uma posição acima do mercado [overweight] no mercado de ações.

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