Cumpri minha missão. Rompi com o Congresso, e o Congresso me expeliu. Fui cassado por cometer o delito de abrir o esgoto a céu aberto, e deixar a substância pestilenta vir à superfície. Quanto mais mexeram, pior ficou o odor. Entrou na sala de visitas o conteúdo do esgoto político. O que fiz foi tido como um delito imperdoável aos olhos dos meus pares, pois transgredi a lei do silêncio, o código de conduta corporativo, a omertá que impera na política brasileira.

Atravessei a ponte e a explodi: não havia caminho de volta. Mas estou seguro de que, ao deflagrar esse processo de decantação, fiz um bem tanto ao meu partido quanto à sociedade brasileira. Nenhuma crise é somente negativa. Precisamos refletir sobre as causas que levaram nossas principais instituições a tamanha fragilidade. A República brasileira está exposta ao loteamento, foi degradada e conspurcada. Acontece um leilão de cargos a cada vez que alguém chega ao poder. O Congresso também está esvaziado pelas medidas provisórias: O Legislativo virou um apêndice do Executivo. As nossas instituições foram “aparelhadas”.

(…) A novidade da crise que deflagrei foi que, pela primeira vez, apareceu alguém para falar com clareza didática, sem hipocrisia, sobre os mecanismos da corrupção no Brasil. Fiz esse papel.

Roberto Jefferson

(Citado  por  Diogo de Oliveira Mendes, em “Cronicamente viável – A estética da polêmica na prosa de Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi”, Dissertação de Mestrado, Dezembro de 2007)

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