Notícia Publicada em 04/01/2016 13:00 

Apesar de improvável, decisão do TSE traria um presidente com uma nova legitimidade

Eurasia entende que a presidente, mesmo mantida no cargo, continuará vulnerável ao avanço das investigações da Lava Jato (Evaristo Sa/AFP)
Eurasia entende que a presidente, mesmo mantida no cargo, continuará vulnerável ao avanço das investigações da Lava Jato (Evaristo Sa/AFP)

SÃO PAULO – A crise política não terá solução após o fim do processo de impeachment independentemente do resultado, aponta a consultoria de risco Eurasia em um relatório enviado nesta segunda-feira (4). Segundo o texto, a eventual convocação de novas eleições em razão de impugnação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) – um órgão federal apolítico – da candidatura da chapa composta pelo PMDB e o PT seria uma “saída limpa” da crise política no país.

A Eurasia entende que a presidente Dilma Rousseff, mesmo mantida no cargo, continuará vulnerável ao crescimento das investigações da Lava Jato sobre a Petrobras. “Isto irá lançar luz sobre novas evidências de irregularidades dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), que pode levar a novas petições para seu impeachment”, avalia o texto. O resultado seria ainda pior caso novas descobertas atinjam diretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para a consultoria, caso Dilma continue – o que é o mais provável para a Eurasia –, ela se tornará mais próxima dos movimentos radicais do partido e ainda mais contida pelo Congresso, o que levará a uma paralisia política. Essas concessões, acrescenta a análise, irão enfraquecer a agenda fiscal e explicar a decisão de substituir o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy pelo atual Nelson Barbosa.

O “Plano Temer”

Na alternativa menos provável de saída de Dilma, a administração liderada pelo vice-presidente Michel Temer “não se sairá muito melhor”. A Eurasia considera que um novo governo se beneficiaria de uma nova onda de otimismo no setor privado e uma “unidade nacional” para governar. Ainda assim, o PMDB também poderá sofrer mais com o aprofundamento da Lava Jato, o que poderia afastar o PSDB do governo.

“Com o desemprego aumentando para dois dígitos durante o ano, o espaço político para manobras do novo presidente será fortemente limitado”, diz a Eurasia.

Saída limpa

A mudança de governo por meio do TSE, que investiga o financiamento de campanha da chapa composta por Dilma e Temer, seria a “saída mais limpa da atual crise política”, aponta a consultoria. “Apesar de improvável, tal saída traria o benefício de trazer um recém-eleito presidente armado com uma nova legitimidade política. Mas não estamos apostando nisso”, mostra o texto. Por fim, a última frase da análise da Eurasia resume o que esperar do novo ano: “2016 será caracterizado pelo aprofundamento da crise no Brasil”.

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