Situação Internacional

 

João da Silveira

 

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Seg. 24 O INCIDENTE IL-20 : DEDUÇÕES LÓGICAS : O Ministério da Defesa russo, fazendo uso de dados fornecidos pelo sistema S-400 instalado em Khmeimim, mostra que um jato F-16 de Israel fez do Il-20 cobertura para se defender de míssil sírio. Informa ainda o MdaD que a Rússia vai agora fornecer o sistema S-300 para a defesa aérea da Síria. Nesse aspecto, a reação da Rússia repete a reação que adotou quando a Turquia derrubou um de seus caças em novembro de 2015. A reação está em incrementar a defesa do espaço aéreo da Síria. A Rússia está na Síria para defender o governo de Bashar al-Assad, combatendo jihadistas e rebeldes definidos como terroristas, não está lá para combater os Estados Unidos, Israel ou Turquia. Ocorre que a intervenção russa choca em muitos pontos com interesses desses e de outros países. Daí vão surgindo incidentes desagradáveis e provocações… Joaquin Flores discute o barulho que a Rússia está fazendo sobre o suprimento à Síria do sistema de defesa S-300 e levanta suspeita sobre a participação da França no incidente, além de Israel… NOUTRA INFERÊNCIA, passando de uma ‘verdade’ a outra, Paul Antonopoulos reitera os argumentos de Patrick Cockburn de que o acordo entre Putin e Erdogan sobre a faixa desmilitarizada em Idlib confirma o retorno inevitável da Rússia como grande potência. Ainda sobre o rápido retorno da Rússia à condição de grande potência, veja aqui.

 

Ter. 25 – S-300 NA SÍRIA : FINALMENTE : A tenção cresce neste momento, mas deve se acomodar num patamar melhor, i.e., mais seguro para a Rússia e para a Síria : Além do S-300 virão também a integração de todos os quartéis de comando da Força de Defesa Aérea da Síria a um sistema automático de controle de procedimentos sobre alvos e tiros, tudo em sintonia com as forças russas distribuídas no país. E mais, no aspecto da guerra eletrônica, a Rússia vai suprimir as comunicações, radares e navegação por satélite das forças que atacarem a Síria. Quer me parecer que Bhadrakumar exagera um pouco quando escreve que John Bolton “lançou um desafio” (threw down the gauntlet) ao considerar a resposta russa como “escalada significativa”. A semântica de throw down the gauntlet é a do duelo e não me parece que Bolton tenha proposto um duelo à Rússia. Bolton pronunciou-se em conformidade ao que é do seu costume. Costume de cabra duro, durão, mas esse durão não fez com suas palavras nada além de constatar um fato. A ‘escalada’ que está mesmo acontecendo está no incremento que o S-300 trará à defesa aérea da Síria. Aqui é importante lembrar que existe um código formal e informal de conduta chamado deconflitoA não ataca as forças de B nem B ataca as forças de A, diretamente, num mesmo conflito. Existe um deconflito formal entre Rússia e Estados Unidos no teatro da Síria e existe outro deconflito formal entre Rússia e Israel no mesmo teatro. Existe um deconflito informal entre Síria e Estados Unidos e entre Síria e Israel. Ocorre que Estados Unidos e Israel atacam regularmente as forças do ISIS e do Irã na Síria. Isso implica destruição na e desacato à soberania da Síria, pois Estados Unidos e Israel não pedem licença ao governo sírio para fazer o que fazem. Como nação soberana, a Síria tem o direito formal de defender seu espaço aéreo. O problema para o governo sírio sempre esteve na sua capacidade de enfrentar diretamente a força de Israel e a dos Estados Unidos. É aqui que entra a Rússia como provedora de capacidade para que a Síria concretize seu direito formal de defesa e de soberania. Esse provimento de capacidade não podia ser uma coisa instantânea. Tinha que ser um procedimento incremental justamente para jogar com as forças, os direitos e os deveres de cada um e evitar a confrontação direta que uma capacitação instantânea acarretaria. Observe-se que, a propósito, a Síria tem o direito de defender-se daqueles que atacam seu território. A Síria já consegue derrubar aviões e os mísseis hostis, mas há diferença entre derrubar um F16 de Israel e um F16 dos Estados Unidos…. A Rússia não tomou assim de um nada a ‘iniciativa’ de fornecer o S-300 à Síria. A Síria busca esse sistema desde 2011. Vai ter, agora, esse salto de qualidade e essa sua resolução continua sendo de defesa; não é de ataque. Israel e Estados Unidos continuarão a atacar e a provocar e teremos oportunidade de verificar a eficácia do S-300 em breve. É bom lembrar que depois do S-300 (existem versões menos e mais atualizadas) poderá vir o S-400 (já tem até uma bateria de S-400 na base aérea de Khmeimim sob controle exclusivo dos russos) e depois o S-500…. Isso nos diz que os russos ainda têm recurso bastante para escalar e escalar a defesa aérea da Síria. Veremos . . .

 

Qua. 26 – A ORDEM EXECUTIVA QUE QUEBROU A AMÉRICA : O pessoal da Bonner and Partners está apostando na falência do dólar e numa revolução monetária via cripto-moedas e tecnologias avançadas, como se pode ver na semana antepassada com Teeka Tiwari… Nesta quarta, Bill Bonner argumenta que a OE 6102 de Franklin D. Roosevelt jogou a América no caminho da perdição e fornece todo o substrato histórico que calça as apostas do grupo. São apostas inteligentes que poderão render ao grupo muito dinheiro, apostas que também poderão ser atingidas ou canceladas por novas OsEs do Senhor Presidente. . .

 

NO CONSELHO DE SEGURANÇA : AGORA É A CHINA QUE SE “METE” NA ELEIÇÃO AMERICANA : China e Rússia. O argumento vem do próprio Donald Trump. Ele deveria ser pessoalmente grato à China e à Rússia, pois sem a “interferência” delas ele não teria sido eleito Presidente Imperial ou Imperador. Ele sabe disso. O Imperador sabe. A China interfere só porque existe da maneira que existe, irresistível ao capital, com sua população de 1.380.000.000 de habitantes. A Rússia interfere como já dissemos porque é o fantasma que anima a máquina imperial…. Enquanto isso, a União Europeia se solidariza com a Rússia real e com o Irã contra os EsUs por causa da guerra comercial, das sanções e das tributações do próprio Trump. Enfim, a condição do Império é de fragmentação por insolúveis contradições internas e externas . . .

 

VENEZUELA : “O FERIADO ACABOU” : Avisa Richard N. Haass, presidente do Conselho da Relações Estrangeiras (Council on Foreign Relations) do Império. Vindo de quem vem, esse é um aviso importante. . .

 

BRAZIL : O mexicano Jorge Castañeda entende que justiça e democracia são antitéticas no Brasil. Ele entende que se ao condenado Lula fosse permitida a candidatura à presidência da República, Lula ganharia a eleição e livraria o Brasil do populista Bolsonaro . . .

 

Qui. 27 – S-300 NA SÍRIA : O que esperar dos sistema de defesa aérea S-300 na mão dos sírios : SouthFront : Israel Shamir acha que a Rússia está “amansando” Israel : Alexandre Mercouris argumenta que o incidente com o Il-20 possibilitou a Putin mais um incremento significativo na defesa do espaço aéreo da Síria . . .

 

TRUMP NA AGNU : Ave Imperator humanae qui tollis peccata mundi, miserere nobis : Ave Trumpa qui tollis peccata imperii, dona nobis pacem : Um obscuro Dia obnubilado para Elizabeth Drew, o dia mais escuro de Trump até aqui… Riram com ele e dele na assembleia dos mundos… “Eu não esperava isso”, disse ele, “mas tá OK”. E Vijay Prashad acha que não foi piada pois Trump ameaça a ordem e a paz. ‘Tá OK…’ Fragmenta mundos… ‘That’s OK…’ Risos, mais risos, até gargalhadas… Os canhões imperiais apontam para a Venezuela, o Irã, a Rússia, a Síria, a China, a Coreia, a África, a América… ‘Tá OK… That’s OK…’ Morte é vida, vida é morte… Ave, ave, ave Trumpa imperator qui tollis peccata imperii, miserere nobis, dona nobis pacem, ave . . .

 

SANÇÕES AO IRÃ : A chave está na Índia : Joseph Hammong . . .

 

Sex. 28 A DÉCADA DO DESESPERO : Ocidente Desperado : Mesa redonda do PROJECT SYNDICATE com Robert J. Shiller, Stephen S. Roach, Teresa Ghilarducci, Jeffrey D. Sachs, Angus Deaton . . .

 

S-300 E S-400 COMPARADOS : Força da Síria e da Rússia comparadas e combinadas : Military Watch Magazine . . .

 

SANÇÕES À COREIA : Estados Unidos, China e Rússia concordam com as sanções mas divergem no seu emprego : Andrew Salmon . . .

 

BOLSONARO E A FRAUDE : “Não aceito resultado diferente da minha eleição” : O Antagonista . . .