Situação Internacional

 

João da Silveira

 

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Seg. 10 TRAMA CONTRA TRUMP : Que importa Trump? : A Constituição dos Estados Unidos, secular, não preceitua comandos religiosos. Seu Art. 6, Sec. 3 diz: “no religious test shall ever be required as a qualification to any office or public trust under the United States” e a cláusula do “não estabelecimento e não proibição” contida na Primeira Emenda estipula: “Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof”. Segundo Ronald Thomas West, a trama contra Trump coloca em jogo o Estado secular, pois os que tramam são cristãos dominionistas para quem a lei divina predomina sobre a lei constitucional (God’s Law usurps Constitutional Law). . .

 

Ter. 11 VLADIMIR E MICHELCOMPARAÇÕES : Acompanho Vladimir desde outubro de 2015. Acompanhava então o declínio de Dilma Rousseff e adicionei Putin para ter um termo de comparação. As revelações daí decorrentes foram fantásticas. Brasil e Rússia passavam por forte recessão econômica naquele ano. A Rússia era a 13entre as maiores economias do mundo pelo PIB nominal em dólar. O Brasil de Dilma ocupava a 9posição, maior que a Rússia, portanto, pelos dados do FMI. Pelos dados do CINC (Composite Index of National Capability) de 2007, Rússia e Brasil estavam bem próximos. Agora, se PIB fosse poder e em sendo o brasileiro maior que o russo, então a presidente do Brasil seria mais poderosa que o presidente da Rússia. O que vimos foi o contrário. Em maio de 2016, Dilma foi afastada da Presidência e, ao final de agosto, teve seu impeachment aprovado pelo Senado. Michel Temer assumiu o governo e o lugar de Dilma na comparação com Vladimir. O impeachment de Dilma talvez tenha servido para conter a disparada da inflação, mas o governo Temer pouco ou nada alcançou além disso. Em novembro do ano passado, Kenneth Rapoza comparou Rússia e Brasil, avaliando que a Rússia recuperava-se economicamente melhor que o Brasil. No início deste ano de 2018, a economia Russa obteve o grau de investimento conferido pelas agências internacionais de avaliação de risco, enquanto a economia brasileira continua três graus abaixo e sem possibilidade de melhora este ano. Em junho último, o governo russo informou um crescimento de 1,3% no primeiro trimestre de 2018 e o economista finlandês Jon Hellevig indagou e discutiu por que o governo russo ‘subestimava’ o crescimento. Segundo ele, o crescimento nominal no período foi de 8,2% e o crescimento real (descontada a inflação de 2,8%) foi de 5,8%. Sabe-se por certo que a modéstia tem sido uma fórmula de sobrevivência dos russos, capaz de facilitar o erro nos seus adversários. Aliás, a comparação entre Michel e Vladimir mostra diferenças chocantes. Vejamos, por exemplo, como os americanos tratam um e outro. Os democratas e republicanos neoliberais americanos fizeram de Vladimir um personagem central na eleição de Trump à presidência dos Estados Unidos. Diga-se, um falso personagem central; falso, mas real; um fantasma tão poderoso que sua presença na máquina do establishment é tida como ato de guerra. Daí tiram a justificação para o que estão a promover no Báltico, na Ucrânia, no Mar Negro, na Síria, no Afeganistão… Michel não foi sequer mencionado a propósito; não teria credibilidade. O Vladimir fantasmagórico é atacado, vilipendiado e insultado continuamente pela grande mídia americana, enquanto Michel só foi levemente criticado por ocasião do impeachment de Dilma ou pelas frequentes notícias que o envolvem com corrupção e com o desleixo para com a coisa pública brasileira, tipo Museu Nacional, nada que afete realmente os Estados Unidos. A economia russa vem sendo alvo durante todo esse tempo de sanções e mais sanções americanas; o Congresso americano aprovou o CAATSA contra a Rússia, Irã, Coreia, e discute neste momento outro projeto de lei, o da Lei do Inferno, que busca aniquilar de vez com a economia russa. Enquanto isso, a economia russa cresce a quase 2% ou mais conforme vimos… Nada do que se faz contra a Rússia faz-se contra o Brasil e a economia brasileira segue estagnada. Como explicar a desenvoltura da Rússia? Neste momento, segundo o texano Russell Bentley, Vladimir enfrenta três guerras em três frentes (Ucrânia, Síria e Atlanticistas), e Andrew Salmon mostra que o Kremlin projeta seu poderio econômico e militar na costa do Pacífico, nas fronteiras com a Europa e no Mediterrâneo. A questão intrigante na comparação entre o presidente da Rússia e o presidente do Brasil é a seguinte: como é que Vladimir, à frente de uma economia menor, consegue fazer tudo isso e Michel, à frente de uma economia maior, não consegue fazer nada disso? Talvez devêssemos pedir ajuda aos americanos. Ajuda? Sim. Mas que ajuda? Ora, simples! Devemos pedir que eles nos critiquem, nos vilifiquem, nos insultem, que façam do nosso presidente outro eleitor de Trump, nos sancionem e taxem ainda mais as nossas exportações e nos sitiem com bases militares e traficantes de drogas e armas e nos coloquem no eixo luciferiano mundial. Talvez assim os brasileiros acordem para a realidade do mundo. Suspeito que será pedir em vão, todavia; desconfio que os Estados Unidos não agirão assim conosco, diretamente, francamente. Pelo que apreenderam das experiências cubana, nicaraguense e venezuelana, penso às vezes que agem conosco de forma insidiosa e pérfida, sendo tolerantes com a esquerda latino-americana em vista da percepção de que, então, sob governos de esquerda, tudo que tiver de dar errado nos países ao sul dará errado. Não há o que temer, do sul. A esquerda latino-americana e brasileira não se deu conta ainda de que tudo é capitalismo neste mundo moderno ou pós-moderno: capitalismo de Estado, capitalismo de laços, capitalismo corporativo, capitalismo ponzi e outras formas; não se deu conta de que o capitalismo é inescapável e que a melhor saída está em democratizá-lo de verdade. Mas o que é demo de verdade? Democratizar de verdade é fazer de todo sujeito ou de quase todo sujeito um capitalista. Em outras palavras: estamos falando de liberdade e responsabilidade pessoal direta; não falamos da liberdade e da irresponsabilidade da democracia representativa. A democracia representativa com suas eleições e golpes parlamentares ou militares é a fraude institucionalizada… Enfim, a melhor solução dentro do inescapável capitalismo é trabalhar com todas as suas formas, dando especial atenção ao capitalismo subjetivo, aquele da escola de Carl Menger, a escola que orienta a maioria dos investidores, saibam eles disso ou não. . .

UM ALERTA PARA BOLSONARO E GUEDES : Para escapar da esquerda brasileira, eles querem alinhar o Brasil mais estreitamente com os Estados Unidos, como se os Estados Unidos fossem uma enorme e magnânima direita. Eles precisam atinar-se para o fato de que os Estados Unidos também têm lá suas esquerdas. A viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos em 2017 mostrou isso. Eles precisam saber que a esquerda brasileira, com Fernando Henrique, alinhou o Brasil com os Estados Unidos nos anos 1990, e Lula seguiu na mesma trilha de Fernando, e produziram a estagnação do país, essa em que vivemos atualmente. Os russos também se alinharam com os Estados Unidos nos anos 1990 e produziram um dos maiores desastres econômicos da história desastrosa da Rússia. Vale recordar ainda que, nos anos 1960, o regime militar primeiro alinhou o Brasil com os Estados Unidos e depois desalinhou. O ex-capitão Bolsonaro deve se lembrar disso… PSDB e PT promoveram a acomodação do Brasil com os Estados Unidos de Bill Clinton, de George Bush e de Barack Obama, como se não houvesse outro mundo. O Brasil do real integrou-se na economia do dólar. Ocorre que a economia do dólar deteriorou-se desde 2007/2008, num declínio que podemos descrever como de endividamento excessivo e de desindustrialização. Donald Trump é o retrato da condição americana e essa condição não favorece a parceria com o Brasil-mala-sem-alça dos governos PMDB-PRN-PSDB-PT-PMDB. Um governo patriota não precisa alinhar-se com ninguém… Há cerca de um mês, a Folha noticiou que, na sua política externa, o futuro presidente Bolsonaro pretende alinhar o Brasil com os Estados Unidos, o Japão, a Coréia do Sul… Vejam Mauricio Macri! Eleito presidente em 2015, ele liberalizou a Argentina na expectativa de trazer novos investimentos internacionais, o que não aconteceu… É o velho ciclo vicioso da liberalização. Nada de autoconfiança, de uma atitude de independência plena, capaz de afastar o Brasil da economia do dólar… Bolsonaro pensa ideologicamente, quando melhor é integrar-se ao mundo comercialmente… O Brasil não carece neste momento de abraçar-se aos que também se afogam. O Brasil carece de aproveitar soberanamente a multipolaridade que avança sobre o mundo. Esse alerta já o fizemos em 1994 e o repetimos agora com maior convicção. . .

 

Qua. 12 DOW / OURO : 2007 NOVAMENTE : Bill Bonner. . .

 

BRETTON WOODS II : ALGO MELHOR QUE OURO? : Tecnologia blockchain, criptomoedas e uma nova Confederação : Teeka Tiwari declara curto e grosso: “o dólar passou de maior trunfo da América a risco maior de rasgar em pedaços o tecido da nossa sociedade.” Por isso ele e um grupo de poderosos patriotas se reuniram em Bretton Woods.  Reuniram sem a presença de chefes de Estado ou de seus representantes e resolveram apostar em novas moedas que hão de surgir em 13 Estados, entre eles a Califórnia, o Texas e Nova York…  Teeka Tiwari ainda não considerou em sua equação da história vindoura a possibilidade real de que o Presidente Imperial possa cancelar ou banir qualquer cripto-moeda apenas com uma sua Ordem Executiva. Abraham Lincoln fez algo do gênero em 1863 ao cancelar as moedas estaduais. Donald Trump fê-lo recentemente com a cripto-moeda petros da Venezuela. . .

 

ATOLEIROS NA SÍRIA : Alastair Crooke percebe uma lógica inversa nos acontecimentos políticos argumentando que essa mania americana de promover atoleiros na Síria vai acabar redundando em mudança de regime não na Síria mas em DC . . .

 

Qui. 13 CASO SKRIPAL : Petrov & Boshirov : Margarita Simonyan, vídeos e transcrição . . .

 

GUERRA COMERCIAL : Pelotão de Fuzilamento Circular : William Pesek : Trump alveja a China, mas joga os Estados Unidos contra a Europa, Canadá e México e ainda dá razões a Japão, Coreia e outros para parar de falar com a Casa Branca . . .

 

VLADIVOSTOK: FÓRUM ECONÔMICO ORIENTAL : Andrew Salmon : Negócios no valor total de 42 bilhões de dólares foram realizados neste quarto fórum, mas não se revelou quanto disso foi investimento estrangeiro . . .

 

TEORIA DO VALOR : QUEM CRIA VALOR? : Mariana Mazzucato  discute brevemente essa questão, opondo a teoria clássica do valor-trabalho à teoria marginal do valor-preço. A teoria clássica separa valor e preço como sendo coisas distintas; a teoria marginal unifica-os como sendo a mesma coisa. Mazzucato esquece de que há um quê de subjetividade na teoria clássica do valor, assim como há um quê de objetividade na teoria marginal. . . Resposta a quem cria valor: não é saudável insistir nem na distinção absoluta nem na fusão absoluta entre valor e preço; na verdade todos criam valor, seja como produtores, seja como consumidores.

 

Sex. 14 – PLURALISMO E MULTIPOLARIDADE : Patrick Lawrence : Por que os Estados Unidos tentam cercar a China, o Irã, a Rússia? Porque não podem aceitar nem o pluralismo nem a multipolaridade . . .

 

IDLIB : 12 MENTIRAS INGLESAS : Peter Ford : 1. Bebês em Idlib são 1/3 da população… 2. Assad ataca com armas químicas… 3. O relatório da OPCW é falho… 4. Assad usa armas químicas para que o povo fuja… 5. Insegurança para que OPCW investigue… 6. Os ataques [da OTAN-NATO] não visam a mudança de regime… 7. Tudo é desinformação da Rússia… 8. Não há tempo para debate no Parlamento… 9. Os parlamentares não podem saber dos planos… 10. Vai haver massacre, banho de sangue, genocídio… 11. As pessoa não têm para onde ir… 12. Não podemos dizer que grupo apoiamos . . .

 

ECONOMIA AMERICANA : MISSÃO SUICIDA : Bill Bonner . . .

 

SEGUNDA CONFEDERAÇÃO : GUERRA AO DÓLAR : Teeka Tiwari : Mas nem um tiro real será dado. É só uma guerra ao dólar, a moeda nacional. Só uma proposta de investidores; só uma campanha de investimento. Investimento em quê? Em cripto-moedas . . .

 

Sáb. 15 VLADIVOSTOK : FÓRUM ECONÔMICO ORIENTAL : Rússia, China, Coreia do Sul, Japão, Mongólia : Os países da região falaram de negócios e de cooperação entre si, menos o Japão, que falou de sua própria grandeza. Shinzo Abe atravessou o samba e Gilbert Doctorow observa que ele falou como se estivesse nos anos 1970 e 1980, quando o Japão foi respeitado e admirado pelo mundo. Vejam só, Abe mostrou um vídeo em que o Japão, rico e superior tecnologicamente, estende a mão a uma Rússia agradecida. Legal, isso. Atualmente, porém, quem é respeitada e admirada é a China, não é o Japão. E a Rússia não tem realmente do que agradecer. Putin propôs a assinatura de um tratado de paz sem precondições e, depois, como amigos, que resolvessem suas disputas em negociações sobre algumas ilhas ao norte do Japão e ao sul da Rússia. Os japoneses refugaram, surpresos. Doctorow acaba concluindo que o Japão permanece como posto avançado dos Estados Unidos na região, atravessando o samba das demais potências regionais . . .

 

CALIFORNIA BELA E GUERRA AO DÓLAR : Greg Wilson . . .

 

BOLSONARO E O ESFAQUEADOR : Felipe Moura Brasil . . .

 

Dom. 16 MUSEU NACIONAL : BRASIL NA MÍDIA : Que os atuais governantes brasileiros são criminosos e irresponsáveis já sabemos. Alguns poucos foram destituídos e estão presos. A maioria, porém, continua solta e na lida de se eleger para a sua vida orcrímica de todos os dias. É o presente deles, sem passado e sem futuro no pensamento. Alejandro Chacoff observa que queimaram não só o passado dos outros, mas também o presente e o futuro primordialmente do Brasil como projeto. Não há projeto. Repito: é o presente orcrímico deles, claramente, abas brasileiros e cunhãs brasileiras, cabeças coartadas…

 

CRISE GLOBAL : RESET GLOBAL : Ouvindo Jim Willie : “The USFed has caused every financial crisis since the 1980s. Both outsourcing of US industry and QE monetary policy assure more crises. The actual price inflation is over 8%, thus the lie on GDP is over 5%, and therefore the USEconomy is stuck in a 12-year recession. The debt engine is broken, since it takes $5 in new debt to create $1 in economic activity. The reality is that the new debt only reduces the impact of endless recession. The Global Financial RESET has already begun with Turkey clean-up and Deutsche Bank rescue. Numerous danger zones and hot spots have cropped up, each a major crisis area on the glorious road to the Gold Standard. It is the inevitable solution, surely to be adopted even by the Basel group of franchise central banks. This time around the entire globe is participating with national breakdowns in the crisis. Call it the Everything Bond Bubble or the Systemic Lehman Event. The Chinese are using very clever financial tactics which include a Debt-Trap Diplomacy game, using USTBonds for extended credit. The Chinese seem to be planning to use the RMB in a caretaker role, intended to move away from the King Dollar while moving toward the Gold Standard.”