Situação Internacional

 

João da Silveira

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Seg. 13 – TRUMP E A TURQUIA DE ERDOGAN : Gilbert Doctorow insiste que há uma lógica consistente em tudo que Trump está fazendo na arena internacional, ainda que suas ações pareçam contraditórias ou reversas. As reversões são feitas para confundir e derrotar seus inimigos domésticos. E a lógica consistente está em dinamitar todo o atual ordenamento de alianças militares que amarram os Estados Unidos, envolvendo-os em conflitos regionais fora de seu interesse e drenam mais da metade do orçamente de defesa somente com a manutenção de bases militares, mais de oito centenas delas, mil ou mais. No lugar das atuais alianças militares, Trump quer retornar a uma política de ‘balança de poder’ entre as grandes potências, que regulariam os conflitos entre si por meio de ‘esferas de influência’, enquanto os poderes menores se entenderão entre si no nível regional, sem interferência dos grandes poderes. O caso com a Turquia de Erdogan visa justamente o desmantelamento da OTAN-NATO. De forma semelhante, o caso com o Irã, o caso com a Convenção de Paris sobre o aquecimento global, o caso com a segurança dos países europeus, todos seguem a mesma lógica de desmantelamento do império dos neoconservadores, dominantes tanto em Bruxelas quanto em Washington D.C. . .

A RÚSSIA E OS BONDS DO TESOURO AMERICANO: Benn Steil and Benjamin Della Rocca: Lá no Council on Foreign Relations, estão desconfiados de que Vladimir Putin realmente não despejou 84% dos títulos da dívida americana (treasuries) de que a Rússia é possuidora, como estão dizendo. Fizeram as contas, investigaram os números de instituições chaves e concluíram que a Rússia terá vendido, realmente, um pouco menos da metade (45%) de seus treasuries. Quanto aos outros 55%, cerca de 16% continuam registrados no Departamento do Tesouro como crédito da Rússia e 39% devem estar escondidos na Bélgica (banco Euroclear) e nas Ilhas Cayman. . .

A QUESTÃO JUDIA : Israel Shamir, “O Trono e o Altar”, comenta positivamente o artigo de Ron Unz sobre a questão. . .

 

Ter. 14 – CENSURA : FAANGs CONTRA JONES: Dmitry Orlov discute. Mas que bicho é esse FAANGs? São as iniciais ajuntadas de Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google, as grandes empresas high tech, ou plataformas de negócios, da economia digital. São um cartel informal de plataformas. Se são plataformas, elas não têm poder para arbitrar (censurar) o que vai na rede, mas estão exercendo justamente essa arbitrariedade. . . CENSURA foi tentada pela plataforma YouTube sobre o documentário “Operações da Rússia na Síria, 2015-2018”, carregado por SouthFront-TASS-RT. . .

POLARIZAÇÃO : Arkady Savitsky argumenta que as ricas e abundantes sanções americanas estão a multipolarizar o mundo. . .

MAR CÁSPIO : INTEGRAÇÃO DA EURÁSIA : Pepe Escobar. . .

LULA PUBLICA NO NYTimes O Antagonista fica mordido e pede correção que não haverá. O NYTimes é um jornal liberal. Nos Estados Unidos, os liberais são tidos como de esquerda. Daí a simpatia para com Lula, que foi um governante moderado e dócil para com os Estados Unidos e tido, no Brasil, como de esquerda. O Antagonista também é liberal, mas é liberal de direita. Daí a irritação do Antagonista com o NYTimes. Liberais de direita, nos Estados Unidos, são os republicanos. . .

 

Qua. 15 – SANÇÕES CONTRA A RÚSSIA : Para o primeiro ministro Medvedev, o motive Americano é remover a Rússia como competidora poderosa da arena internacional. Para Stephen Cohen e John Batchelor, o objetivo é interromper o fluxo de dinheiro para a Rússia, sob a pressuposição de que a Rússia é fraca e vai se entregar. [Dois terços do comércio mundial é feito em dólar americano. Se você corta a Rússia do dólar, você corta a Rússia de 2/3 do comércio mundial. Ela, que já é fraca, ficará 2/3 mais fraca.] Ora, isso não vai dar certo porque a Rússia não é fraca. O que a Rússia pode fazer? Ela pode: vender suas reservas em dólar; fazer seus negócios em outras moedas; fechar os bancos Americanos que operam na Rússia; suspender suas próprias sanções ao Irã e à Coreia do Norte que adotou para acompanhar e agradar (por sua vez) os Estados Unidos; suspender a venda de titânio aos Estados Unidos e o fornecimento de motores para os foguetes da NASA, etc. [As reações da Rússia, por sua vez, podem diminuir na margem a quota em dólar do comércio mundial, fazendo das sanções americanas um certo tiro no próprio pé. É guerra, todavia, e a esperança americana é de que Putin cairá e a Rússia se entregará muito antes do comércio mundial em dólar se esgotar.] O ex-embaixador americano na Rússia, Michael McFaul, tuitou outro dia: “Nós não precisamos da Rússia.” Cohen vê nesse tweet uma indicação de desarranjo (derangement) mental americano. Cohen não explica esse desarranjo. Ele lista as razões dadas pelo governo americano: Ucrânia, Síria, Skripals, democracia e, no fundo, Donald Trump. Todas essas razões são espúrias ou mentirosas, são barbaridades todas de iniciativa ocidental. É o Ocidente (FUKUS) esperneando, brigando, batendo para governar o mundo. . .

TRUMP CONTRA BRENNAN : John Brennan foi chefe da CIA no Governo Obama. Como ex-chefe, Brennan reteve sua credencial de segurança.Na segunda-feira desta semana, o advogado Rudy Giuliani afirmou que Brennan é o chefe (ringleader) da turma que quer derrubar Trump e, nesta quarta, Trump caçou a credencial de segurança de Brennan. Foi um golpe no saco dele, evidentemente. Ray McGovern, que foi também da CIA e sabe dessas coisas, discute a situação… Coisas piores e também coisas bizarras virão. A grande República Imperial perdeu completamente o brio. É ver. . .

VIAGEM À RÚSSIA :O jovem senador Rand Paul, filho do ex-senador Ron Paul, do Texas, viajou à Rússia, entrevistou-se com Gorbachev e com membros do parlamento russo. Rand Paul advoga o engajamento, não o confronto, com a Rússia e nisso ele está com a maioria dos eleitores americanos, devendo atrair contra si a ira do establishment governante. . .

 

Qui. 16 – MULTIPOLARIDADE : M. K. Bhadrakumar vê na Turquia e na sua relação de apoio recíproco com o Qatar a chegada da multipolaridade no Oriente Médio… Como tudo nesse mundo parece ligado, Bill Bonner vislumbra na TURQUIA o futuro dos Estados Unidos: “huge defaults… stock crashes… chest-pounding… threats and counter-threats… populism… betrayal… trade wars… and currency wars… as the world reckons with $115 trillion in excess debt.” A crise ta Turquia pouco importa. É a crise do Império que importa. . .

AMÉRICA-PUNITIVA : Duascrenças americanas e um corolário incomodam Philip Giraldi. A primeira crença americana é a de que, confrontados por força majeure, os países recuam. Os Estados Unidos são uma força majeure. Em verdade são la plus majeure de tous. Isso está comprovado na prática. São o único Superpoder na Terra (tirante Deus, que nos livra e guarda!). Outra crença americana é a de que o uso da violência pelo Superpoder está livre de consequências, pois quem ousaria retaliar o poder do Superpoder? (Só Deus, só Deus!) Vejam a Rússia, a China, grandes poderes. Veja como são cordatos com o Superpoder. Essa crença tem até seu corolário: os países agredidos esquecem rapidamente a violência sofrida, assim como os Estados Unidos também esquecem prontamente da violência aplicada. É o EUA, os Estados Unidos da Amnésia, como dizia G. Vidal. Essas as crenças americanas sob a batuta dangereuse de Mike Pompeo, que incomodam Giraldi. . .

SÍRIA : A ESTRADA PARA IDLIB E ALÉM : Ex-embaixador da Grã-Bretanha na Síria entre 2003 e 2006, Peter Ford faz uma análise de alto padrão moral deste momento na guerra e dos desafios à frente na consolidação da paz. Assim como essa guerra foi de fabricação ocidental, os desafios à frente, de Idlib e além, também são de fabricação ocidental. . .

 

Sex. 17 – ALEMANHA E RÚSSIA : A aliança no horizonte vislumbrada por Dmitry Rodianov é pesadelo para os Estados Unidos. . .

 

Sáb. 18 

 

Dom. 19