Situação Internacional

 

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S 4 – Jogo no Google “foro econômico internacional de são Petersburgo 2018” e nenhuma publicação da grande mídia brasileira é listada. Somente o Sputnik Brasil e a Embaixada da Rússia pelo Facebook ou o sítio do Jornal do Brasil. A grande mídia brasileira ignorou completamente o Foro de São Petersburgo 2018, realizado ao final da outra semana. O mesmo não se pode dizer de Davos 2018, amplamente coberto por Folha, O Globo, Agência Brasil, pelo Itamaraty et al. E quem brilhou em Davos foi a China, não foi o Brasil. Isso mostra que o B dos BRICS não está valendo grande coisa. O Brasil se afoga na crise do mundo ocidental, a crise do Império, mesmo sem ser parceiro do Ocidente. . .

A semana está serena lá fora. As diplomacias trabalham. O Antagonista informa sobre a reunião de Donald Trump com o “ditador Kim Jong-un” e eu não me aguento sem comentar: “se você escreve ‘ditador Kim Jong-un’, poderia escrever também ‘imperador Donald Trump’. Ficaria mais bonito, mais simétrico, mais antagônico, não é?” O fato é que Trump pode mudar de ideia a qualquer momento. Ele não é estável e seu império é instável. Ontem, por sinal, ele declarou no Tweeter que tem o poder absoluto de perdoar a si mesmo. Trump é divino e verdadeiramente imperial! . . .

A grande mídia ocidental pergunta se Donald pode acreditar em Kim, quando a pergunta inversa é bem mais interessante: pode Kim Jong-un acreditar no flutuante e imponderável Donald Trump? Pode Kim confiar em Donald e não terminar como Sadam ou como Ghadafi? Você confia em Trump? . . .

A história memorável do historiador David Irving… Hitler… Churchill… holocausto… Dresden… liberdade de expressão a morrer no Ocidente. . .

T 5– A Europa vai de faca contra as pistolas de Trump no duelo comercial. . . A Europa vai reclamar com a Organização Mundial do Comércio. . . A Rússia reclamou em março diretamente com os Estados Unidos. Os Estados Unidos não deram bola. RIA Novosti perguntou se o Departamento de Comércio estava disposto a negociar. Nenhuma resposta. Ao final de maio, a Rússia anunciou contra-tarifas sobre produtos americanos. A Europa ainda não percebe que não se vai de faca para um duelo de pistolas. Duelo é chumbo com chumbo, faca com faca. Os russos esperam que a UE entenda isso brevemente. Mikhail Antonov: a Europa rende-se ao medo e à indignação com o endosso por Trump das novas tarifas. Medo porque a Europa estava tranquila e confortável sob a asa da América, indignação porque Washington a atacou. “Por que nós?” . . .

O caso da morte e ressureição de Arcady Babchenko ilustra bem o colapso por que está passando a Ucrânia, conforme descrições de Dmitry Orlov. . .

Q 6 – Karl Marx foi grande admirador do que se passava nos Estados Unidos, nação que ele percebia como sendo verdadeiramente enérgica e revolucionária. Lendo seus textos jornalísticos encontramos frequentes palavras como canalha, fraude, mentira, tramoia etc., usadas para descrever operações correntes na sociedade americana. Marx é do século XIX. Hoje, neste primeiro quarto do século XXI, temos Jim Willie, um autor e analista que usa aquelas mesmas palavras de forma muito mais intensa que Marx, pois está a descrever a derrocada ou falência do capitalismo americano. “Os criminosos ainda estão no poder.” Vale a pena ouvi-lo!

Q 7 

S 8 – Este é o verão dos descontentes no hemisfério norte. Descontentes são os líderes do G7: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. É o Ocidente mais o Japão, sendo que o núcleo formador do Ocidente é FUKUS, ou seja, França, Reino Unidos, Estados Unidos. Os descontentes reúnem-se hoje e amanhã, sábado, em La Malbaie, província de Quebec, no Canadá, onde buscam entendimento sobre questões de comércio e de segurança nuclear.

S 9– Trump foi o último a chegar para o encontro do G7 e o primeiro a sair, tendo faltado à reunião sobre a questão ambiental. Trump levou a sugestão de trazer a Rússia de volta ao grupo, do qual foi afastada em 2014 por causa da anexação da Criméia. A propósito, a Rússia não está pedindo para voltar ao G7, pois ela vai muito bem na Organização de Cooperação de Xangai (OCS) e acredita mais no G20 como fórum que inclui países emergentes. A proposta agitou ainda mais as tensões entre os “aliados”, segundo o NYTimes. Para Peter Baker, o presidente está fazendo amigos entre inimigos da América e inimigos entre amigos. O encontro terminou em fiasco. Trump se recusou assinar a declaração final e ainda chamou Justin Trudeau, primeiro ministro do Canada, de fraco e desonesto. E tudo isso parece em sintonia com a lógica do colapso (neste caso do Império), conforme explicou Dmitry Orlov no caso da Ucrânia.

D 10 

Situação Nacional

 

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S 4 – Luis Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, fala de duas realidades no Brasil: a do Brasil e a do setor privado. É como se o setor privado não fosse parte do Brasil. Mas vá lá. O Brasil funciona assim: quando pensamos que está tudo bem, não está tão bem; quando pensamos que está tudo ruim, não está tão ruim. Quê que o Moreno quis dizer com isso? Ele quis dizer que o Brasil nunca chega a extremos e é diferente dos países da América Latina pelo seu tamanho, pela escala muito maior, e pela maior quantidade de empreendedores tecnológicos. A entrevista de Moreno é interessante, mas teria sido ainda melhor se, ao invés de falar do Brasil, tivesse falado do lastimável governo brasileiro. . .

Sobre o programa Minha Casa Minha Vida e as cidades brasileiras, entrevista importante da BBC Brasil com a urbanista Ermínia Maricato. . .

T 5– Paradoxos da política orcrímica brasileira: Lula está preso, mas feliz, a julgar pelo relato de frei Beto; Michel Temer está solto, mas acabrunhado por causa da Polícia Federal, das investigações no porto de Santos, e dos recursos do coronel Lima. Aliás, Lula está no centro das atenções tanto quanto Temer. A única diferença entre eles é que um está preso e o outro solto. Um acredita que vai ser solto; o outro acredita que vai ser preso. . .

Q 6 – Orcrimes. Medo em Brasília. Marco Antonio Cursini. Ouça Claudio Dantas. . .

Bilhões escapam dos países emergentes por causa da guerra comercial. . . Mas há um outro universo: São Petersburgo, Singapura, Astana: outra visão do que se passa com certos países emergentes; uma ordem em colapso; outra ordem emergente que poucos brasileiros enxergam. São tempos interessantes. . .

Q 7 

S 8 

S 9 

D 10 – O ministro Aloysio Nunes viajou para a Ásia com a mulher e alguns acompanhantes. A notícia vem no tom bem brasileiro atual de algo com cheiro de corrupção, de mais uma escapada recreativa enquanto caminhoneiros param o país. O Itamaraty reage: “O périplo por sete países da Ásia (China, Coreia do Sul, Indonésia, Japão, Singapura, Tailândia e Vietnã) visou a explorar o enorme potencial inexplorado nas relações do Brasil com a região. A viagem busca recuperar o tempo perdido, colocando a Ásia no centro da política externa brasileira. Alguns dos países visitados não eram visitados por chanceleres brasileiros há quase duas décadas.” A nota do Itamaraty confirma o que foi dito acima: poucos brasileiros enxergam a nova ordem emergente. Aloysio perdeu tempo. Aloysio devia ter posto a Ásia no centro da política externa brasileiro assim que chegou no ministério há dois anos. Agora é tarde. Faltam seis meses para ele sair. . .