Notícia Publicada em 11/12/2015 19:28 

Políticos perderam de vez a compostura esta semana com o agravamento da crise política

Dedo na cara: deputados se xingaram e coleguinhas tiveram que separar a briga (Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados)
Dedo na cara: deputados se xingaram e coleguinhas tiveram que separar a briga (Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO – Os acontecimentos em Brasília esta semana superaram qualquer roteiro tragicômico do mundo da ficção. O vice-presidente protagonizou uma DR com a presidente da República. Deputados saíram no tapa no Conselho de Ética da Câmara. E houve Guerra dos Sexos na festa da firma dos políticos com ministra jogando bebida na cara de senador. Tudo isso em apenas três dias.

“A política brasileira virou um buffet de confusões a quilo. Há fartura de pratos para todos os gostos 24 horas por dia”, escreveu Murillo de Aragão, cientista político e sócio da consultoria de risco político Arko Advice, em seu blog.

Como dizia o ex-governador mineiro Magalhães Pinto: “Política é como nuvem: uma hora está de um jeito; outra, quando a gente olha de novo, está de outro”. O sócio da Arko Advice observa, no entanto, que “com o upgrade do PT, a mudança não é de hora em hora, e sim em tempo real”.

A temperatura já estava alta em Brasília devido aos desdobramentos da Lava Jato, cujas investigações ninguém sabe onde vão parar e a quem vai implicar. O andamento do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara e a abertura do processo de impeachmentde Dilma Rousseff foram a cereja do bolo para o pessoal perder a compostura de vez.

Para Aragão, tudo começa com o cruzamento da incapacidade do governo de reagir à mais profunda crise com as revelações impactantes da Lava Jato, “extraordinários vetores do nó cego político que debilita o país”.

Após já ter implicado os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, a operação da Polícia Federal prendeu – pela primeira vez na história do país – um senador em exercício de seu mandato, Delcídio do Amaral, no mês passado. Agora, em outra investigação, a Zelotes, intimou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a depor em investigação sobre seu filho.

“O país segue atordoado pela difícil equação que representa o caos em que se encontra a sua economia agregada a um destempero fortíssimo no campo político”, comenta Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio.

Segundo ele, essa confluência de acontecimentos faz o Brasil ficar “absolutamente desinteressante” para os investidores estrangeiros. Resultado: os fluxos financeiros para o país tendem a ser cada vez mais cadentes.

“De sobremesa temos fragmentação partidária, destruição da economia, lideranças anêmicas, judicialização da política, crise fiscal e uma profunda falta de criatividade e de coragem”, diz Aragão, que se diz “à espera de lideranças que nos guiem para fora da crise”.

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