Dilma, na ONU, sobre democracia e corrupção

 

28/09/2015

Eis o que Dilma disse (textos em itálico) na ONU sobre o que se passa politicamente no Brasil: Os avanços que logramos nos últimos anos foram obtidos em um ambiente de consolidação e de aprofundamento da democracia. Graças à plena vigência da legalidade e ao vigor das instituições democráticas, o funcionamento do Estado têm sido escrutinado de forma firme e imparcial pela Justiça e por todos os Poderes e organismos públicos encarregados de fiscalizar, investigar e punir desvios e crimes. (Ou seja, escrutinado por agentes do próprio Estado. Ela se referia evidentemente a Rodrigo Janot, ao MPF, à PF, ao Supremo de Gilmar Mendes e ao de Ricardo Lewandowski, ao STJ, aos juízes da primeira instância como Sérgio Moro, ao TCU, que reprovaria suas contas de 2014 na semana vindoura, ao Congresso Nacional com Renan Calheiros do seu lado e Eduardo Cunha meio contra e meio a favor.) O Governo e a sociedade brasileiros não toleram a corrupção. (Embora haja tanta corrupção no Brasil.) A democracia brasileira se fortalece quando a autoridade assume o limite da lei como o seu próprio limite. Nós, os brasileiros, queremos um país em que a lei seja o limite. Muitos de nós lutamos por isso, justamente quando as leis e os direitos foram vilipendiados durante a ditadura. (Lembrança do seu passado de guerrilheira, de Coração Valente.) Queremos um país em que os governantes se comportem rigorosamente segundo suas atribuições, sem ceder a excessos. Em que os juízes julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza e desligados de paixões político-partidárias, jamais transigindo com a presunção da inocência de quaisquer cidadãos. Queremos um país em que o confronto de ideias se dê em um ambiente de civilidade e respeito. Queremos um País em que a liberdade de imprensa seja um dos fundamentos do direito de opinião e a manifestação de posições diversas direito de todos os brasileiros. (Queremos, queremos, queremos! É o que verdadeiramente já temos!) As sanções da lei devem recair sobre todos os que praticaram atos ilícitos, respeitados o princípio do contraditório e da ampla defesa. Essas são as bases de nossa democracia e valho-me de recente manifestação do meu amigo José Mujica, ex-presidente uruguaio, que disse: “Esta democracia não é perfeita porque nós não somos perfeitos. Mas temos que defendê-la para melhorá-la, não para sepultá-la”. (Por que Dilma não citou Lula, alguma frase dele, do seu criador, afinal, como presidenta?) Que fique consignado que não abriremos mão das conquistas pelas quais o povo brasileiro tanto lutou. (E assim fica de fato consignado em seu último pronunciamento às Nações Unidas.)