João da Silveira

03/07/2016

 

Michel (Dilma) na Primeira Semana de Julho

Bondades do versus confiança no governo. Esse é o tema de editorial do Estadão. Confiança dos empresários e dos consumidores; sondagens no comércio e na indústria mostram que a confiança desses agentes começa a ressurgir. Já as bondades do governo são para servidores públicos, Estados e Municípios, Bolsa Família, Olimpíadas do Rio; algumas justificáveis, outras discutíveis. O alerta: bondades podem reverter a confiança.

Em tom mais crítico, editorial da Folha, no domingo, fala de escambo intramuros em Brasília.  Temer tem que estar alerta nesta sua interinidade, pois o escambo intramuros foi justamente o que arruinou o país e é o que a população já não mais tolera. O governo Temer carece de dar melhores explicações para suas concessões. . .

Henrique Meirelles diz à Radio Estadão que não há bondades. O que há são acertos ou entendimentos que vêm do governo Dilma e despesas já previstas na meta de resultado primário. Essa é a explicação e Meirelles está sendo sincero. Há continuidade na política pública. Se há diferença, onde estará?

Nesse ponto, vale assinalar que o governo Dilma calculava seu déficit na casa dos R$ 90 bilhões, o que era sua medida do seu desastre. Com o afastamento dela, o governo interino de Temer elevou o déficit para R$ 170,5 bilhões. Ao fazer isso, Temer mostrou que o desastre do governo Dilma é quase o dobro daquele que ela mesma admitia. Ao mesmo tempo, as ditas “bondades” ou “concessões” de Temer vão na mesma escala. É a escala do que precisa ser contemplado e eventualmente corrigido. . .

O que se percebe é uma radical mudança de estilo. Mudança, aliás, que já era esperada e que vai fazendo toda a diferença. Michel Temer conhece tanto da Constituição quando do Congresso Nacional. Dilma Rousseff não conhece nem a Constituição nem o Congresso. Michel é capaz de governar com a Constituição e com o Congresso. Dilma, não. Por seu desconhecimento, Dilma só é capaz de governar paralelamente, improvisadamente, como fez. . .

O governo Temer está a sair de dentro do governo Dilma. Que será trabalhoso e demorado não há a menor dúvida. Os passos estão demarcados pelo rito do impeachment, que se estenderá pelos próximos dois meses. Como reflexo desse seu difícil começo, pesquisa CNI/Ibope mostra que o governo Temer é desaprovado por 39% dos entrevistados e aprovado por 13%. Está mal sem dúvida, mas já está melhor do que Dilma, cuja relação na sua saída andava em torno de 69% e 10%, respectivamente.

Dilma encolhe. Estão a dizer que ela desistiu de ir se defender na Comissão do Impeachment porque tem medo de Ataídes Oliveira e de Magno Malta. Malta espanta-se com a informação e diz: “Os petistas, as viúvas do poder, quando vão fazer um oba-oba em torno dela, costumam chamá-la de ‘coração valente’. A vida inteira, muitos de nós tivemos Dilma como uma valente que lutou com arma na mão, essas coisas todas. Eu, sinceramente, não entendi.”

Mas nem tudo dela mingua: a vaquinha virtual para pagamento de suas viagens atinge o objetivo de R$ 500 mil e avança. Dilma tem seus seguidores e seguidoras.

Lula também diminui. Ele vai encontrar com Waldir Maranhão no Instituto Lula, neste fim de semana. . .

Vladimir na Primeira Semana de Julho

Vladimir tem sido cauteloso com o Brexit. Ele mostra até mesmo apreensão quanto às consequências econômicas. . . A UE é o maior parceiro comercial da Rússia e, portanto, é bom que a economia da UE esteja forte. . . que não se enfraqueça com a saída da Inglaterra. Essa é uma preocupação. . .

Brexit e Turquia (Petr Lvov) e as perspectivas para o Oriente Médio. . .

Editorial Board of The Washington Post. Acusações trocadas. Todos os crimes são cometidos pelo governo de Assad, pelos russos e pelos iranianos. Todas as violações do cessar fogo foram deles. Uso de armas químicas, por eles. . . A crítica do Post está justamente nas flutuações de Obama, que ora se aproxima e ora de afasta de Putin. . .