João da Silveira

26/06/2016

 

Michel (Dilma) na Quarta Semana de Junho

Episódios marcantes da semana: recuperação judicial da Oi; “solução” para a dívida dos Estados; Operação Custo Brasil, prisão e soltura de Paulo Bernardo; MO admite elo com repasses para a campanha de Dilma; falência da cidade do Rio de Janeiro; Operação Turbulência. . .

A recuperação judicial da Oi, outra gigante do capitalismo de Estado praticado pelos governos Lulopetistas. A dívida total de R$ 64,5 bilhões e a participação dos bancos oficiais. . . As lições do naufrágio da Oi, segundo o Estadão. . . José Mendonça de Barros, Estadão. . .

A dívida dos Estados e o governo Temer como “solucionador”. Editorial do Estadão. . . O governo neste momento de interinidade é certamente frágil. Ele precisa se firmar primeiro. O governo interino de Temer não pode outra coisa senão “solucionar” problemas. . . Elio Gaspari fala aqui de “governos de eventos” ou do “governo de eventos” do Rio de Janeiro que certamente vão continuar. . . Precisamos sair desse paradigma. . . Temer não é nem poderá ser um governo de eventos, mas um governo discreto, um governo solucionador, um governo breve. . .

Dilma e Lula, Odebrecht e OAS. . . Despetetização. . .Temer corta o atendimento a Dilma com os jatos da FAB e diz: “usar jatinho para denunciar o golpe é esdruxulo”.

Arnaldo Jabor meio que se exaspera: somos uns miseráveis rodeados de miseráveis. . .Isso, no meio da narrativa da semana. . .

E aí vem mais a operação Custo Brasil, da Polícia Federal, e pega o Paulo Bernardo e outros. . . Paulo Bernardo esperava ser preso desde abril do ano passado. . . Foi preso agora. Por que demorou tanto? Porque a Lava Jato sozinha não dá conta de tudo. Foi preciso que outra operação realizasse o feito, sinal de que os juízes da primeira instância estão surgindo e esse surgimento poderá levar ao fim do instituto do foro privilegiado. . . A semana foi mais amena para Michel. A operação Custo Brasil tirou o foco de cima dele e de seu partido o PMDB, devolvendo as atenções para o PT. . . E está revelando coisa grande do que seria o segundo mandato de Dilma. . .

Janio de Freitas, Folha. Janio não quer que Temer refira-se a si mesmo como presidente. Ele quer que Temer refira-se a si mesmo como vice-presidente em exercício da presidência. Para Janio, só Dilma é presidente, pois a Constituição não admite dois presidentes. Para ele, Temer será sempre vice-presidente, ainda que em exercício da presidência, quer dizer, ainda que presidente de fato, e, como o que se passa na política é para Janio um golpe, o presidente de fato pode usar também e corretamente o título de presidente ilegítimo. Janio é cruel com Michel.

STF como foro privilegiado, ante republicano. . .

Vladimir na Quarta Semana de Junho

Georg Soros vai a Londres. Soros é guru da sociedade aberta global. Ele fala em evento promovido pelo movimento Rússia Aberta, do exilado russo Mikhail Khodorkovsky. . .

Soros diz algo interessante. Enquanto a Rússia ressurge como poder mundial, a União Europeia desmorona. Ele lembra que, de forma bem parecida e reversa, quando a União Europeia floresceu a então União Soviética começou a cair. A saída do Reino Unidos enfraquecerá a UE, portanto, ele vem para dizer que o voto deve ser não ao Brexit. A saída trará graves consequências tanto no emprego quanto nas finanças do Reino, com forte queda da libra esterlina. Soros fala com convicção, mas não está animado. Soros está apreensivo. . . Na quinta-feira, os ingleses votam majoritariamente sim ao Brexit, os escoceses e os irlandeses do norte votam majoritariamente não, prevalecendo para todo o Reino Unido o voto sim. Vitória do Brexit!

Vladimir Putin está quieto em Moscou. Não move um dedo nem a favor nem contra o Brexit. . . Perde Cameron. Perde Obama. Perde Merkel. . . Mas não é uma perda consumada. Paul Craig Roberts lembra o caso da Irlanda, que votou para sair e foi forçada a votar de novo para ficar. A perda vai depender de outros plebiscitos: o Frexit, o Holexit, o Swexit, o Spexit, o Italexit, o Grexit e até mesmo o Amerexit, pois há quem recomende que o governo Americano deixe a Europa em paz. . .

Caças russos atacam base na localidade de Tanf, junto à fronteira da Síria com a Jordânia e o Iraque. . .Caças americanos levantam voo do Catar para a interceptação. Os caças russos se afastam de Tanf. Os caças americanos voltam ao Catar para reabastecer. Os russos voltam e atacam a base novamente. . . Há uma mensagem aqui para Obama e para Kerry. . .

A Bulgaria recusa participar de manobras navais da Otan no Mar Negro. . .

A guerra econômica continua, especialmente no caso do Irã: os bancos europeus temem pesadas multas e evitam negócios com o Irã. . .

Eleição de Hillary Clinton levará à Terceira Guerra Mundial ou, para a Rússia, a uma Segunda Guerra Patriótica. Tropas da Otan já estão na fronteira. . . Alastair Crooke: fim do cessar fogo na Síria torna a guerra híbrida contra a Rússia mais próxima. . . Stephen F. Cohen define como “trapaceira” a política dos Estados Unidos de guerra não declarada contra a Rússia. . .

Três desentendimentos entre Moscou e Damasco. . . Outros desentendimentos táticos na condução da guerra. . .

Max Fisher, no NYT, interpreta o dissenso diplomático dentro do State Department. . .