Caro Senador,

Ontem, em matéria da Folha, Dilma esperava “integral confiança de Temer”, ironicamente. O mais curioso: disse não ter sido informada da saída de Padilha e que ainda contava “‘com a presença dele no governo’”! Temer, em almoço com Alckmin, teria dito que se mantém distante do impeachment, “pois se envolver na questão não é o papel do vice”. Edinho Silva, em entrevista à Folha, disse que “‘não é perfil do Temer desembarcar do governo’”, outra frase curiosa, pois vice é vice, não é governo. Isso é o que estava na Folha ontem, suplementado pelo Estadão também de ontem, onde se informava que os ministros Henrique Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), pressionados por Cunha e peemedebistas pró impeachment, resistem deixar o governo.

Mas ainda ontem, no Estadão, a agenda política seguia em marcha batida para o impeachment. Temer aparece como um exímio articulador, tendo já unido os tucanos Aécio, Alckmin, e Serra em apoio a seu eventual governo, enquanto mantém interlocução assídua com Lula, o que intriga até mesmo os petistas, mas não intriga O Antagonista, cujo raciocínio é o de que é melhor para o PT e para Lula se livrarem de Dilma.

Por outro lado, as articulações de Temer são vistas como conspiração pelo Planalto, que redobra seus cuidados com o índice de fidelidade dos peemedebistas, a quem foram dados sete ministérios. . . A lógica irônica predominante no Palácio e expressa por Jaques Wagner em diálogo com a presidente é a de que “‘É melhor um fim trágico do que uma tragédia sem fim’.”

Hoje, com a matéria “Aliados preparam ofensiva para levar PMDB ao comando do país”, O Globo confirma tudo que vai escrito nos parágrafos anteriores e, ainda, que a agenda política segue em marcha batida para o impeachment. A saída de Padilha (“Padilha é Temer”) . . . o abismo entre os palácios da Alvorada e do Jaburu . . . Dilma a esperar confiança integral de Temer . . . Temer a encontrar com tucanos e com democratas e com Lula . . . Ciro Gomes a acusar Temer de “capitão do golpe” . . . Os peemedebistas pró impeachment querem Temer na retaguarda: ele não precisa se mover . . . Padilha cuida da planilha dos votos . . . Moreira cuida do Plano Temer (uma ponte para o futuro) . . . Geddel é o Estado Islâmico do PMDB (pega, mata e come) . . . Jucá defende abertamente o impeachment . . . Cunha não é peemedebista histórico, mas fez o que pôde fazer: abriu o processo de impeachment. A matéria de O Globo termina com breves perfis de Moreira Franco, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Romero Jucá – esses são os caras.

Do outro lado, Dilma Rousseff pode contar com o apoio de Leonardo Picciani, que O Antagonista apelida de “o Sibá Machado do PMDB”. Mas, e os seis outros ministros do PMDB que continuam no governo? Alves, Pansera et al? Eles não contam nada para Dilma? Eu digo que, dada a lógica dissimulada e dúplice do PMDB, a saída deles do governo não é politicamente necessária para o avanço do impeachment; eles são ministros do PMDB no governo Dilma e continuarão ministros do PMDB no governo Temer, bastando para isso que façam corpo mole. Dilma não contará com o empenho deles, nem a favor nem contra.

Abr.,

João