Mês: fevereiro 2017

Economia Brasileira

‘O governo atual não vai até 2018’ Alexa Salomão e Ricardo Grinbaum 10 Outubro 2015 Para o economista e sócio da MB Associados, País não tem estratégias, como nos anos 80, para suportar anos de crise   Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros já viu muitas crises, mas nada como a atual, em que tudo parece dar errado e não ha saída. “Hoje o que está matando é o sofrimento sem horizonte”, diz. O grande nó a ser desatado, para ele, é crise política e haverá troca de governo antes da próxima eleição. “Não há como conviver com esta falta de estabilidade”. A seguir trechos da entrevista que concedeu ao Estado. Com qual cenário o sr. trabalha hoje? Da série nunca antes nesse País, temos hoje a existência simultânea de quatro coisas, que nunca vi antes com essa dimensão. O cenário internacional não é dramático, como em 2008, 2009, mas não nos ajuda. O tom geral é que a economia global está desacelerando. O segundo eixo é uma crise política. Terceiro é uma crise macroeconômica clássica. Queda no crescimento, no investimento, no emprego. Inflação alta. Taxas de juros sideral. O pior de tudo é o enorme desarranjo nas contas públicas, com o destaque de que esse desarranjo, junto com os juros altos, estão levando a relação entre o PIB (Produto Interno Bruto) e...

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Russia in Syria

Putin’s plan for Syria Only Russia has a clear goal—we should join it or stay out   Rachel Polonsky / October 9, 2015 Published in November 2015 issue of Prospect Magazine As David Cameron prepares the way for a vote on bombing in Syria, Britain faces an ugly choice: whether to back Russia in targeting Islamic State, if that also means propping up President Bashar al-Assad—see James Harkin’s July 2013 cover story and Bronwen Maddox’s piece “Which side is Britain on?”. That is clearly Russia’s goal, and its deployment of aircraft and other forces gives it the upper hand. Rachel Polonsky argues here that this is the best course. Many would disagree, and see backing Russia—and Assad, whose military has killed so many Syrians—as a false answer and the fuel for civil war or for the country splitting. But many will agree, too, that the west has to talk to Russia—and that it has no clear plan of its own. After Vladimir Putin’s meeting with Barack Obama at the United Nations on 28th September, the Russian Foreign Ministry’s spokesperson Maria Zakharova was relayed live from New York to the Moscow studio of Special Correspondent, a popular talk show on Russia-1, the state-owned television channel. The theme was the end of the unipolar world order—of the west’s ability to shape the world as it would like, above all the Middle East. “We would prefer not to...

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Donald Trump

Eleição de Trump representa ‘fim do mundo como o conhecemos’   Marcos Troyjo 09/11/2016 Durante a corrida à Casa Branca, escancararam-se grandes diferenças no estilo de política externa dos EUA defendido pelos candidatos Hillary Clinton ou Donald Trump. No limite, tais distinções remetem a dilema que frequenta a visão de mundo e a atuação externa dos EUA há pelo menos cem anos. Em grande parte de sua história, os EUA tiveram de optar por isolamento ou presença global. No primeiro caso, amplamente observado no século 19, os norte-americanos forjaram sua política externa na compreensão de que seus vizinhos eram geopoliticamente fracos e de que a Europa era fonte dos males do mundo. Cabia portanto fazer do Atlântico um “lago americano”, com forte poderio naval. Quanto a intervenções para além das Américas, como foi a Primeira Guerra Mundial, os EUA poderiam atuar para ajudar a restabeler equilíbrios geopolíticos regionais, mas não “ficar no mundo”. Foi justamente essa necessidade de permanecer nos palcos globais —como precondição da ideia de Ocidente depois da Segunda Guerra Mundial— a que Churchill convida os EUA em seu famoso pronunciamento no Westminster College, no Missouri há setenta anos. Esta foi a tônica do famoso discurso da “Cortina de Ferro”. Nesta campanha presidencial, Hillary defendeu a permanência do engajamento global dos EUA em termos econômicos e militares. Se vencesse as eleições, ela continuaria a defender o “pivô para a...

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BRICS e CIRUS

Cirus, quarteto dominante da nova ordem global Marcos Troyjo 14/12/2016 Os analistas de relações internacionais adoram acrônimos e abreviaturas. Brics, G-7, UE —algumas combinações de letras que buscam explicar diferentes arquiteturas de poder, prosperidade e prestígio. Não gostaria de aumentar muito essa já extensa lista de siglas. Contudo, acho impossível, nesse refundar da ordem internacional, deixar de sugerir que “Cirus” (sequência em inglês para China, Índia, Rússia e EUA) representa o quarteto de maior importância nos palcos globais. Desde a vitória de Donald Trump nos EUA, proliferam as avaliações de que o “Ocidente acabou”. Se, com a Guerra Fria, o termo respondia menos a uma referência geográfica e mais a uma visão de mundo que abraçava a economia de mercado, democracia representativa e um sistema internacional baseado em regras, o Ocidente está pelo menos em xeque. EUA e Reino Unido (para Churchill, a dupla fundadora da ideia de Ocidente) passaram, com “brexit” e Trump, a questionar pressupostos como a primazia do livre comércio. A aliança ocidental, que do ponto de vista geopolítico tem na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) um dos pilares, é pesadamente criticada pelo presidente eleito dos EUA. A própria ideia de uma Europa integrada, central à política externa de Washington e Londres há décadas, já foi abandonada. Reino Unido, e sobretudo os EUA, preferem adotar uma posição que privilegia os entendimentos bilaterais, aqui compreendidos como relações...

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