Mês: setembro 2016

Dá para olhar para a frente?

O impeachment de Dilma Rousseff, mais do que encerrar um período sombrio da história política do País, deveria marcar o início de um tempo de esperança na definição e construção dos caminhos que poderiam levar o Brasil à pacificação política necessária à construção de seu futuro   Essas esperanças, no entanto, podem ter sido frustradas pela maracutaia que senadores, presididos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, engendraram para livrar levas de políticos objetos de investigações policiais e processos criminais da perda de direitos políticos que acompanha a condenação, seja ela por algum juízo, seja pelo Congresso Nacional. Na hora da união, criou-se a cizânia. O presidente Michel Temer, agora efetivado no Palácio do Planalto, poderá não ter condições, diante do quadro de descalabro político e moral criado na quarta-feira – mas certamente concebido e amadurecido há tempos –, de inspirar uma aliança de partidos comprometidos com o interesse público, e não com a indecente maracutaia que impuseram às pessoas de bem deste país. E, sem essa aliança, não se vencerá sequer a primeira etapa do esforço de recuperação nacional. Ou seja, a discussão e adoção de medidas, muitas delas duras e impopulares, mas todas absolutamente indispensáveis ao saneamento das finanças públicas e que são pré-requisito para a retomada do crescimento. Pode-se estar perdendo o momento de deixar para trás um passado ignóbil e de projetar para...

Ler mais

O desfecho do impeachment

Todo cidadão honesto deste país há de estar estupefato com o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff   Todo cidadão honesto deste país há de estar estupefato com o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Malgrado o fato de que a petista finalmente teve seu mandato cassado, levando alívio ao País, tão maltratado pela incúria administrativa e pelo desleixo moral da agora ex-presidente e de seu partido, um punhado de notórios personagens da vida política – desses que não se consegue identificar bem na escala biológica, porque são ao mesmo tempo animais de pluma, couro e escama – aproveitou a deixa para urdir uma maracutaia digna de uma república bananeira. O objetivo, claro, foi beneficiar todos os políticos facínoras que a Justiça está por alcançar. Mas o resultado da trama, do qual essa chusma de irresponsáveis talvez nem tenha se dado conta, é que o governo de Michel Temer, do qual vários deles esperam fazer parte e colher seu quinhão, corre o risco de terminar antes mesmo de começar (ver abaixo o editorial Dá para olhar para a frente?). Como toda maquinação, esta não ficou clara senão pouco a pouco, minuto a minuto, para assombro geral, em meio ao drama da votação que determinou o impeachment de Dilma no Senado. As coisas ficaram meridianamente claras quando a bancada do PT fez ao presidente da...

Ler mais