Mês: agosto 2016

Gosto pelo monólogo levou Dilma ao ponto onde está

Elio Gaspari 17/08/2016   Dilma Rousseff leu sua carta ao povo diante de jornalistas, mas não aceitou perguntas. Ela gostaria de ir ao Senado para apresentar a sua defesa, mas não quer perguntas. Foi esse gosto pelo monólogo que a levou ao ponto onde está. Mesmo assim, há monólogos que ilustram. Esse não foi a caso da carta lida nesta terça (16). Quando a senhora e o PT não sabiam o que fazer, propunham um pacto. Assim foi em 2013, quando os brasileiros foram para rua. Ela ofereceu cinco pactos e mudou de assunto semanas depois. Ontem, novamente, ofereceu um “pacto pela unidade, pelo desenvolvimento e pela justiça”. Quando pactos não rendem, surge a carta do plebiscito, e Dilma voltou a tirá-la da manga. Sugeriu a realização de um plebiscito “sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral”. A reforma política é necessária e não precisa de plebiscito, mas é o caso de se lembrar que tipo de reforma era defendida pelo seu partido. O PT queria, e quase conseguiu, a instituição do voto de lista. Ela confiscaria o direito do eleitor de votar no candidato de sua escolha. Esse poder iria sobretudo para as direções partidárias. (O PT teve dois ex-presidentes e três ex-tesoureiros encarcerados.) Dilma e o PT revelaram-se intelectualmente exaustos. Tiveram em Eduardo Cunha um aliado, um cúmplice e, finalmente,...

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Lula e Dilma

How Brazil’s Lula Conned the World   Mary Anastasia O’Grady Aug. 7, 2016     The 2016 Olympic Games kicked off in Rio de Janeiro on the weekend without major incidents. That seemed a near miracle after weeks of grim reports about shoddy construction, an unprepared security detail and monstrous traffic jams. Whether the athletes, visitors and Cariocas (as Rio residents are known) can get through the next two weeks without a catastrophe remains an open question. It wasn’t supposed to be like this. Then again, when Rio won the competition in 2009 to host these games, Brazil wasn’t forecast to look like it does today—with a budget deficit equal to some 8% of gross domestic product, inflation near 10%, two years of economic contraction and a cesspool of corruption scandals. In 2009, President Lula da Silva of the Workers’ Party (PT) had been at the helm for more than six years and was somewhat of a world rock star. His hip rhetoric denigrated the economic liberalism of the 1990s while hyping a new and improved brand of socialism with a samba twist. Much of the region bought Lula’s 2.0 version of big government. Concerns about the return of left-wing Latin populism and its potential damage to entrepreneurship and economic growth were met with assurances that this time would be different. Lula was a man of the left but he wasn’t Hugo...

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A velha política

Merval Pereira 13/08/2016   A pressão por participação no governo continua determinando a atuação dos partidos políticos, o que ao mesmo tempo em que demonstra que a reforma política é fundamental, também indica que dificilmente ela passará. O próprio governo trabalha com essa lógica, como demonstra a cobrança do ministro Eliseu Padilha, Chefe do Gabinete Civil, aos partidos da base governista. Cada partido tem um ministério, e é responsável, portanto, por trazer os votos para a aprovação de projetos do governo. Nada mais explícito do toma-lá-dá-cá do que isso. Não é por acaso, portanto, que já se anuncia que dois ministérios que foram extintos na primeira reforma administrativa feita no governo Temer, logo que assumiu sua interinidade, voltarão a ser criados. O de Desenvolvimento Agrário ficará com o Solidariedade, e o da Pesca com o PRB. O fim do ministério da Pesca era apresentado como símbolo de uma nova visão de governo, enquanto que sua criação chegou a ser considerada o auge do clientelismo nos governos petistas. Pois ele não está apenas de volta, mas com projeto de criação de 27 administrações regionais para cuidar do assunto. Esses são apenas alguns exemplos de recuos do governo Temer que significam muito mais do que simples mudanças de diretrizes de gestão pública. Mostram enfaticamente que não há nesse governo peemedebista nenhuma visão reformista do estado brasileiro, muito menos uma posição antagônica...

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Washington Slap Down

Turkey Turns to Moscow for Help   Mike Whitney Aug. 8, 2016   “Turkey is slowly leaving the Atlantic system. That is the reason behind this coup. That is the reason why NATO is panicking. This is much broader and much bigger than Erdogan. This is a tectonic movement. This will affect Turkish-Syrian relations, Turkish-Chinese relations, Turkish-Russian relations and Turkish-Iranian relations. This will change the world.” — Yunus Soner, Deputy Chairman Turkish Patriotic Party “It is becoming clear that the attempted putsch was not just the work of a small clique of dissatisfied officers inside the armed forces; it was rather the product of a vast conspiracy to take over the Turkish state that was decades in the making and might well have succeeded.” — Patrick Cockburn, CounterPunch On August 9,   Turkish President Recep Tayyip Erdogan will meet with Russian President Vladimir Putin in Saint Petersburg  The two leaders will discuss political developments following the recent coup-attempt in Turkey, tourism, and the launching of Turkstream, the natural gas pipeline that will transform Turkey into southern Europe’s biggest energy hub..  They are also expected to explore options for ending the fighting in Syria. Putin will insist that Erdogan make a concerted effort to stop Islamic militants from crossing back-and-forth into Syria, while Erdogan will demand that Putin do everything in his power to prevent the emergence of an independent Kurdish state on Turkey’s...

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Erdogan’s Checkmate

CIA-Backed Coup in Turkey Fails, Upsets Global Chessboard Eric Draitser July 29, 2016   The failed coup in Turkey last week was a political and geopolitical earthquake as it has the potential to fundamentally alter the Middle East, NATO, and potentially the balance of power globally.  But while the implications of the recent developments are clear, what actually took place on the night/morning of July 15 – July 16 is still somewhat shrouded in mystery.  But why is that? Why are the connections for the most part not being made by Western pundits and journalists alike? Here again we run into the controlled corporate media apparatus, one which is dominated by the very same interests that dominate the governments of the US and EU, and its incredible power to misinform.  As the great Michael Parenti famously wrote, “[The media’s] job is not to inform but disinform, not to advance democratic discourse but to dilute and mute it. Their task is to give every appearance of being conscientiously concerned about events of the day, saying so much while meaning so little, offering so many calories with so few nutrients.” Nowhere is Parenti’s contention more true than with the coup in Turkey. For while the media has certainly reported the allegations from President Erdogan and his government of the hidden hand of US-based billionaire Fetullah Gulen, almost none of the major media outlets have...

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