Mês: maio 2016

Jucá fala em pacto para deter avanço da Lava Jato

RUBENS VALENTE 23/05/2016   Em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos. Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República). O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades. Renata Mello/Transpetro Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, durante cerimônia de viagem inaugural de navio Machado passou a procurar líderes do PMDB porque temia que as apurações contra ele fossem enviadas de Brasília, onde tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), para a vara do juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR). Em um dos trechos, Machado disse a Jucá: “O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês”. Na visão de Machado, o envio do seu caso para Curitiba seria uma estratégia para que ele fizesse uma delação e incriminasse líderes do PMDB. Machado fez uma ameaça...

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Putin Is Being Pushed to Abandon His Conciliatory Approach to the West and Prepare for War

Alastair Crooke 05/17/2016 BEIRUT — Something significant happened in the last few days of April, but it seems the only person who noticed was Stephen Cohen, a professor emeritus of Russian studies at New York University and Princeton University. In a recorded interview, Cohen notes that a section of the Russian leadership is showing signs of restlessness, focused on President Vladimir Putin’s leadership. We are not talking of street protesters. We are not talking coups against Putin — his popularity remains above 80 percent and he is not about to be displaced. But we are talking about serious pressure being applied to the president to come down from the high wire along which he has warily trod until now. Putin carries, at one end of his balancing pole, the various elites more oriented toward the West and the “Washington Consensus“ and, at the pole’s other end, those concerned that Russia faces both a real military threat from the North Atlantic Treaty Organization and a hybrid geo-financial war as well. He is being pressed to come down on the side of the latter, and to pry the grip of the former from the levers of economic power that they still tightly hold. In short, the issue coming to a head in the Kremlin is whether Russia is sufficiently prepared for further Western efforts to ensure it does not impede or rival American hegemony....

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Temer pode ser “afavelmente autoritário”

A pedido de ÉPOCA, Olga Curado, que treinou Lula e Dilma para campanhas eleitorais, analisou o primeiro discurso do presidente interino e o último discurso da presidente afastada GABRIELA VARELLA 14/05/2016   A pedido de ÉPOCA, na última quinta-feira 12, Olga analisou a linguagem corporal de Dilma, em seu discurso de afastamento do cargo, e de Michel Temer em seu primeiro discurso como presidente interino, após a decisão do Senado Federal de abrir o processo de impeachment. Segundo a análise de Olga Curado, apesar de falar com a firmeza de quem promete lutar até o fim, Dilma, agarrada ao púlpito, com a sobrancelha levantada e a boca contraída, não conseguiu esconder os sinais de abatimento. “Numa situação em que ela perdia o controle das coisas, ela apontava o dedo, num gesto de quem busca o controle. Estava muito desgastada.” Temer, por outro lado, em seu primeiro discurso, parecia estar em casa. “Ele chegou onde queria. A autoconfiança está lá em cima”, diz Olga. O presidente interino, na sua visão, apesar de tentar inspirar gentileza, não é um sujeito fácil de lidar: seus gestos de mãos, os apontamentos e as demarcações durante sua fala demonstram que ele é uma pessoa dura. “É quase autoritário no sentido de que ele, quando quer uma coisa, tem dificuldade de abrir mão do que acha que tem de ser”, diz. O peemedebista encerrou o discurso pedindo proteção...

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Waldir Maranhão, o breve – e confuso

Ameaçado de expulsão de seu partido e pressionado a renunciar à presidência da Câmara, o deputado chamou para si um protagonismo que não teve como sustentar FLÁVIA TAVARES COM LEANDRO LOYOLA 13/05/2016 Waldir Maranhão é um homem confuso. O deputado federal do PP do Maranhão era, até dia desses, primeiro vice-presidente daCâmara dos Deputados. Foi nessa condição que ele proferiu seu voto sobre o impeachment de Dilma Rousseff, no dia 17 de abril. Nas vésperas, ele espalhara por Brasília que havia mudado de ideia e votaria contra o impeachment, desobedecendo à decisão de seu partido. No sábado, sob os boatos de que voltara atrás, marcou um almoço em seu apartamento funcional e recebeu até Jaques Wagner, então escudeiro-mor de Dilma. No domingo da votação, quando chegou sua vez, antes que abrisse a boca ornada pelo bigodão, Maranhão foi vaiado pelos oposicionistas do plenário. “Todos nós estamos emocionados”, disse o deputado, estendendo seu servilismo a Eduardo Cunha, “meu presidente querido”, e a Flávio Dino, governador do Maranhão “que sonhou com a mudança”. É missão ardilosa servir a dois deuses tão distintos. Maranhão se embaralhou na hora H: “Em defesa da democracia: Não! Sim!”. Suspense de milissegundos. “Contra o impeachment!”   Na segunda-feira passada, Waldir Maranhão decidiu derramar sua confusão pela República. Ele já era presidente da Câmara – catapultado ao posto depois do afastamento de Eduardo Cunha do cargo e do mandato de deputado pelo Supremo Tribunal...

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Temer fala a ÉPOCA: “Quero botar o país nos trilhos”

Na primeira entrevista exclusiva desde que assumiu interinamente a Presidência, Michel Temer diz que a ficha ainda não caiu, conta quais são suas prioridades, diz que trabalhará incansavelmente – mas não promete milagres DIEGO ESCOSTEGUY 13/05/2016     O novo e interino presidente da República, Michel Temer, falou com exclusividade a ÉPOCA hoje. É a primeira entrevista à imprensa desde que tomou posse interinamente, ontem. Temer foi claro sobre o que espera fazer como presidente, caso Dilma Rousseff de fato não retorne ao cargo. E admitiu que “ainda não caiu a ficha” do momento – de que ele é, de fato, o responsável por tirar o Brasil de uma das mais graves crises de sua história. “Estou acostumado à pressão, a situações difíceis, a crises. Trabalharei de domingo a domingo, de dia e de noite, para cumprir as expectativas do povo brasileiro”, disse, ciente de que o país tem pressa. “Quero, com a ajuda de todos, botar o país nos trilhos nesses dois anos e sete meses.” Temer sabe que botar o país nos trilhos será uma missão difícil. “Não vou fazer milagres em dois anos”, admitiu, quando confrontado com o fato de que a burocracia do governo e as pressões de grupos de interesse no Congresso tornam improvável o sucesso na execução de reformas profundas – sobretudo num curto espaço de tempo e sob a forte instabilidade política que ainda define...

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