Autor: João

O Projeto (6)

Multipolaridade: PMDB, PSDB, PT, PMDB   João E. da Silveira 07/08/2017   Em 1989, depois de 16 anos antropológicos e não antropofágicos nos Estados Unidos, retornei ao Brasil com a tese de que, para o desenrolar da contenda interamericana (antecipada por Hegel), o país chave não era Cuba nem a contenda era capitalismo vs. socialismo, mas, realisticamente falando, era capitalismo vs. capitalismo. O socialismo então existente dava nome ao chamado Segundo Mundo; aquele mundo era um sonho, uma fantasia, um artifício, um engodo na boca de políticos inescrupulosos como fora o georgiano Joseph Stalin. O que existia de fato era e é o capital, ou seja, são as relações de produção e de troca. Isso posto, o país chave para o fruir da contenda interamericana deixava de ser Cuba com seu rijo capitalismo de Estado e sua pequena envergadura caribenha e passava a ser o Brasil com toda a sua envergadura continental sul-americana e seu conservadorismo. Escala não é tudo, mas importa. Conservadorismo não é revolução, mas importa também. Em dezembro de 1991, caiu a União Soviética. A ideia socialista arrefeceu (esfriou) mundo afora, abrindo-se mais espaço para se falar de contendas do tipo capitalismo vs. capitalismo. Deixamos de lado, portanto, a ideia do socialismo e a substituímos pela ideia mais objetiva de que o mundo político é realmente multipolar, porque várias são as constituições elementares e vários os Estados...

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O Projeto (5)

Fim da União Soviética   João E. da Silveira 07/08/2017   Em dezembro de 1991, os presidentes das repúblicas eslavas Boris Yeltsin da Rússia, Leonid Kravchuk da Ucrânia e Stanislav Shushkevich da Bielorússia encontraram-se na Floresta Belovezh e decretaram o fim da União Soviética. No fundo foi mesmo Yeltsin o grande responsável por tal decreto, pois sem ele não haveria o encontro na floresta. Reagan e Gorbachev tinham preparado o terreno com a suspensão da Guerra Fria. Os russos, naquele afã secular de emular e superar os Estados Unidos, viram chegada a hora de extinguir o sistema soviético, excessivamente burocrático e duro. Adotaram pouco depois um programa urgente de privatizações, em busca da condição mais flexível e mais dinâmica de uma sociedade burguesa aberta. Assim, a União Soviética acabou-se por decreto, por decisão de seus próprios dirigentes. O decreto de dezembro de 1991 foi aprovado em janeiro de 1992 pelo parlamento russo, a Duma, a mesma Duma que Yeltsin extinguiria no ano seguinte com tiros de canhão… O mundo logo achou que os Estados Unidos foram o grande vitorioso da Guerra Fria – dessa peculiar modalidade de guerra entre potências nucleares equivalentes. Acaba que foi mesmo uma vitória bastante peculiar, pois, se nas guerras convencionais (não nucleares) os vitoriosos desarmam por via de regra os vencidos, nessa “vitória” os americanos sequer pensaram em desarmar os russos. Pelo contrário, os...

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O Projeto (4)

Filosofia da História Mundial   João E. da Silveira 06/08/2017   Nos anos 1960 e 1970, acompanhei a guerra do Vietnã e a revolução cubana. Nos anos 1970 e 1980, estudei a Rússia e os Estados Unidos. Fazia isso com o intuito de entender também a situação do Brasil. Em 1983, li na Filosofia da História de G. W. F. Hegel o seguinte trecho: “A América é portanto a terra do futuro, onde, nas eras vindouras, o peso da História do Mundo se mostrará – talvez numa contenda entre a América do Norte e a do Sul.”[1] Foi um choque, como um raio em céu azul, a leitura dessa frase, absolutamente inesperada dado o contexto da leitura. Com a frase a ribombar na cabeça, passei os anos 80 a buscar pelos sinais da tal contenda, sinais que se mostram latentes por toda parte, mas que nunca se realizam de fato. Por que não? Há algumas peculiaridades nas concepções de Hegel. Uma delas está na definição de ‘América do Sul’, onde Hegel incluía o México e excluía o Brasil. Ora, o México do tempo de Hegel incluía toda a Califórnia, o Texas e outros vastos territórios do que é, hoje, o sudoeste dos Estados Unidos. Portanto o México era e ainda é, para nós aqui da América do Sul, parte da América do Norte. Uma segunda peculiaridade é a de...

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O Projeto (3)

Além da Conjuntura: Brasil, Rússia e EUA   João E. da Silveira 06/08/2017   Brasil e Rússia são dois grandes países. Estão entre as grandes potências e têm naturalmente ambições que se justificam por seus portes. São polos hegemônicos regionais. A Rússia é o maior do mundo em território e o nono em população. O Brasil é o quinto maior tanto em território quanto em população. Os Estados Unidos da América são terceiro em população e o quarto maior país em território. A expansão territorial do Brasil para oeste e a da Rússia para leste foram coetâneas, tendo ambas começado na segunda metade do século XVI. O Brasil de então era, na verdade, o Império Português, que se espandia sobre a América do Sul e se estendia com seus entrepostos por toda a costa africana, toda a costa sul da Ásia, Goa na Índia, Macau na China, até Nagasaki no Japão. O momento de maior afirmação dos brasileiros no cenário mundial ocorreu no século XVII, com a guerra de expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil. Dentre os muitos feitos daquela guerra, é importante lembrar que a cidade do Rio de Janeiro libertou Luanda, em Angola, das mãos dos holandeses, sem o que eles não seriam expulsos do Nordeste. Por ocasião da independência em 1822, o Brasil tinha mais ou menos a configuração territorial atual, enquanto a Rússia, tendo...

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O Projeto (2)

Brasil e Rússia em 2015   João E. da Silveira 06/08/2017   Em 2015, Brasil e Rússia passavam por uma recessão econômica com queda no produto interno bruto da ordem de 3,0 a 3,5%; recessão provocada em parte pela queda no valor das commodities (petróleo, minério de ferro etc.); o real e o rublo se desvalorizavam em proporções semelhantes perante o dólar. Nas moedas detectava-se, porém, diferenças. A flutuação do rublo estava associada à flutuação no preço do petróleo, enquanto a do real não estava associada a nenhuma commodity em particular, mas à sorte do governo Dilma: se parecia que seu governo resistiria ao impeachment, o real caía; se parecia que seu governo cairia, aí o real parava de cair ou valorizava-se. Pelo critério PPP (Purchasing Power Parity), a Rússia era a sexta maior economia em 2015 e o Brasil a sétima. Pelo critério PIB calculado em dólar, a economia brasileira ficava na nona posição e a economia russa caía para a 13a posição no ranking mundial. Portanto a economia brasileira era significativamente maior em 2015 pelo critério PIB em dólar. A recessão na Rússia era devida não só à queda no valor do petróleo. Havia também as sanções duma guerra econômica movidas pelos Estados Unidos e pela União Europeia a partir de 2014. Esse tipo de sanções (guerra) não existindo contra o Brasil fazia transparecer que a outra...

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