Autor: João

Planalto enxerga ‘salvação’ de Dilma na economia e na base histórica do PT

VERA ROSA – O ESTADO DE S. PAULO 20 Dezembro 2015 | 03h 00 Após Executivo obter vitória no Supremo sobre o rito do impeachment, presidente indica a sindicalistas e representantes de movimentos sociais uma inflexão à esquerda no governo BRASÍLIA – Ameaçada de impeachment, a presidente Dilma Rousseff promete fazer a partir de agora um novo movimento de inflexão à esquerda nos rumos da gestão, em uma tentativa de se manter no Palácio do Planalto. Embora o Executivo tenha obtido uma vitória no Supremo Tribunal Federal, que deu ao Senado a palavra final sobre o rito de impedimento, a cúpula do PT acredita que a salvação de Dilma depende da economia e de sua aproximação com os movimentos sociais. Foi com esse diagnóstico que a presidente, antes mesmo de trocar Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, deu sinais de mudança na política econômica. Desenvolvimentista, Barbosa sempre defendeu uma prescrição que coincide com a receita de Dilma para sair da crise. Dilma se encontra com representantes de movimentos sociais, artistas e intelectuais no Palácio do Planalto “Precisamos de uma nova equação econômica para o Brasil”, afirmou a presidente, na terça-feira, em reunião com sindicalistas e representantes de entidades empresariais. “Levamos uns trancos. Mas o que faremos após superar a crise?”, perguntou ela na quinta-feira, ao se encontrar com integrantes da Frente Brasil Popular, que no dia...

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‘A tendência é que o mercado não dê tempo ao governo’

Saída de Levy e perda de grau de investimento devem agravar ainda mais a crise, diz pesquisador do Ibre/FGV Cleide Silva 20 Dezembro 2015 | 03h 00   A perda do grau de investimento do Brasil na semana passada pela agência Fitch e a saída do ministro Joaquim Levy da Fazenda devem agravar ainda mais a crise econômica, na opinião do pesquisador do Ibre, Fernando Veloso. Para ele, “o governo é incapaz de resolver o desequilíbrio fiscal de forma ordenada”. Ele defende que, além de reformas econômicas, o País precisa de uma agenda de inclusão social, tema que ainda não foi encampado por nenhuma força política. A seguir, trechos da entrevista. Que efeito econômico terá a perda do grau de investimento? É mais sério ainda do que foi a perda do grau de investimento pela Standard & Poor’s porque vários fundos estrangeiros não vão poder mais investir no Brasil. A tendência é deteriorar ainda mais o cenário econômico. O dólar deve se desvalorizar de forma mais acelerada. O Banco Central terá mais dificuldade em se comprometer com uma meta de inflação. Como o País chegou a esse ponto? Tudo isso é resultado da enorme dificuldade do governo em se comprometer com uma meta fiscal crível. Além disso, tem a dificuldade natural do governo na interlocução com o Congresso e com seus próprios pares. O resultado é a dificuldade de...

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Troca de ministro é irrelevante nesta roleta-russa política, diz Delfim Netto

Tuca Vieira/Divulgação O economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto ANA ESTELA DE SOUSA PINTO EDITORA DE “MERCADO” 20/12/2015  02h00 A troca de ministros da Fazenda é irrelevante e não afasta a impressão de que o país está “indo para o buraco”, diz o ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto. Um dos economistas mais respeitados do país, Delfim foi ministro na ditadura militar e interlocutor dos governos Lula e Dilma, no início do primeiro mandato. O afastamento começou no final de 2012, quando a presidente insistia numa política econômica que desequilibrou os preços no país e enfraqueceu o setor industrial. Embora contrário ao impeachment —”seria preciso haver prova de que Dilma foi desonesta”—, ele diz que a administração política da presidente “desintegrou-se”. “Estamos numa roleta-russa, não num jogo político.” * Folha – A troca de ministros da Fazenda faz diferença? Antonio Delfim Netto – Não. Os dois [Joaquim Levy e seu substituto, Nelson Barbosa] são muito competentes. O problema não é econômico. É político. Não há possibilidade de terminar um ajuste fiscal sem reconstruir primeiro —ou junto com ele, pelo menos– a expectativa de crescimento. Como se recupera o crescimento agora? O crescimento é um estado de espírito. O que existe hoje é um desânimo muito grande, produzido pelas dificuldades da economia, que, por sua vez, desintegraram a administração política. O Brasil é um país hoje em que a administração política está anulada. Um governo que...

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Crise faz o País regredir uma década

RICARDO LEOPOLDO – O ESTADO DE S.PAULO 20 Dezembro 2015 | 03h 00 Taxa de investimentos, motor da economia, deve sofrer retração de 12% neste ano e entre 5% e 10% no ano que vem, segundo economistas A forte retração da atividade até o fim do próximo ano resultará num significativo retrocesso geral da economia brasileira. O conjunto de uma série de indicadores mostra que o País retornará ao nível de uma década atrás. A taxa de investimento como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, deverá alcançar 18% em 2015 e 17,5% em 2016, o que não era apurado desde 2006, quando atingiu 17,8%, conforme chama a atenção Braulio Borges, economista-chefe da consultoria LCA.   Outro dado que mostra o amplo retrocesso são os índices de confiança de empresários e consumidores, que voltaram ao nível registrado em 1998/1999. A produção da indústria de transformação, por sua vez, retornou a patamares de 2005, enquanto o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci), medido pela FGV, deve atingir este ano 77% – muito abaixo da média de 83,8% registrada na década encerrada em 2014. A recessão em que o País mergulhou em 2015 e continuará enfrentando em 2016 gera especialmente uma depressão dos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo deverá apresentar neste ano uma queda ao redor de 12% e mais uma retração de 5% a 10% em...

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Isolado, Brasil está desde julho sem crédito no exterior

LUIZ GUILHERME GERBELLI – O ESTADO DE S.PAULO 20 Dezembro 2015 | 03h 00 Problema deve se agravar após 2ª perda de grau de investimento, que também afeta os investimentos produtivos e o crescimento Os efeitos da perda do selo de bom pagador pelo Brasil por duas agências de classificação de risco devem se prolongar ao longo dos anos. Agora rebaixado para a categoria de grau especulativo, o País vê como mais difícil uma recuperação da credibilidade no mercado internacional. A sequência da perda do grau de investimento pelas agências Standard and Poor’s (S&P) e Fitch afeta a economia brasileira em diversas frentes. A decisão traz uma piora nas expectativas com o aumento do risco de a terceira agência, a Moody’s, também tirar o selo de bom pagador do Brasil; o fluxo dos investimentos no País tende a diminuir; e a vida das empresas vai ficar mais difícil.   “O crescimento brasileiro já seria mais baixo, mas o rebaixamento do País é mais uma restrição para a economia sair do buraco”, afirma José Roberto Mendonça de Barros, sócio da consultoria MB Associados e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. O rebaixamento da nota brasileira promovido pelas agências de risco apenas chancelou o mau humor da economia mundial com o País. Desde julho, por exemplo, as empresas brasileiras e instituições financeiras não fizeram nenhuma emissão no exterior. Os...

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